Saneamento básico ajuda a reduzir emissões, mas não resolve sozinho aquecimento global, diz especialista
Especialistas explicam como sistemas de esgoto e resíduos reduzem gases de efeito estufa e ajudam na adaptação das cidades.
Por Redação Diário Local
O funcionamento adequado do saneamento básico é uma ferramenta importante para reduzir a emissão de gases de efeito estufa e auxiliar na adaptação climática das cidades. No entanto, a medida não é suficiente para interromper o aquecimento global, que depende principalmente da transição energética e do controle do desmatamento, explicam especialistas.
O uso correto de infraestruturas de esgoto e resíduos sólidos ajuda a mitigar o impacto climático. Por outro lado, a falta de tratamento adequado e a existência de lixões contribuem para o aumento da emissão de poluentes, especialmente o metano (CH4).
Como o saneamento atua no clima?
Resíduos orgânicos em esgotos sem tratamento e em lixões são grandes geradores de metano, um gás de efeito estufa. Quando os sistemas de saneamento operam corretamente, a produção desse gás diminui significativamente.
As estações de tratamento de esgoto desempenham um papel duplo: além de reduzir a produção de metano, podem utilizar tecnologias para capturar o gás. Esse processo permite transformar o poluente em bioeletricidade ou em biometano veicular, que funciona como um tipo de biocombustível.
Além disso, redes de drenagem e esgoto bem cuidadas auxiliam na proteção das cidades contra impactos de eventos climáticos extremos e enchentes, funcionando como uma medida de adaptação.
Quais são as outras prioridades?
Embora o saneamento tenha um efeito imediato na redução de emissões de curto prazo, outras ações são indispensáveis para combater o aquecimento global. Entre elas, destaca-se a necessidade de interromper o desmatamento e a degradação do uso da terra.
Outro ponto central é a realização de uma transição energética para reduzir a dependência de combustíveis fósseis e aumentar o uso de fontes renováveis. No Brasil, o setor de resíduos é um dos grandes emissores, ficando atrás apenas dos setores de energia e uso da terra.
No agronegócio, a redução de gases requer a expansão de práticas sustentáveis, como o plantio direto, a recuperação de pastagens degradadas e o manejo correto de dejetos na pecuária. A restauração e o reflorestamento com espécies nativas em larga escala também são apontados como medidas urgentes para o uso da terra no país.
