Xi Jinping prepara delegação de CEOs para visita aos EUA em setembro
Medida busca sinalizar apoio a investimentos e laços comerciais com Washington antes das eleições de meio de mandato.
Por Redação Diário Local
O presidente da China, Xi Jinping, prepara uma grande delegação de executivos para acompanhá-lo em uma visita oficial a Washington, conforme informações de fontes próximas ao assunto. A medida busca sinalizar a disposição de Pequim em apoiar investimentos e fortalecer os laços comerciais com os Estados Unidos.
A cúpula está programada para ocorrer na terça-feira (24). A iniciativa é considerada incomum, já que Xi Jinping raramente viaja ao exterior acompanhado de líderes corporativos, especialmente após o aumento da repressão regulatória do governo chinês sobre os setores de tecnologia, educação e imobiliário desde 2020.
A presença de grandes empresários na viagem tem o objetivo de oferecer vantagens econômicas potenciais à Casa Branca antes das eleições de meio de mandato nos EUA. A estratégia tenta reduzir o ceticismo norte-americano sobre o investimento chinês e melhorar o ambiente de negócios entre os dois países.
Histórico de relações comerciais
A última vez que o presidente chinês levou um contingente empresarial expressivo aos Estados Unidos foi em 2015. Na ocasião, a delegação incluiu fundadores de gigantes como Alibaba e Tencent, resultando em acordos relevantes, como a assinatura de um contrato de US$ 38 bilhões para a compra de 300 aeronaves da Boeing.
Nos últimos anos, o cenário mudou com o aumento do escrutínio de Washington. O governo dos EUA impôs tarifas de 100% sobre veículos elétricos chineses, proibiu a importação de drones e robôs, e incluiu empresas de tecnologia da China em listas que as consideram ameaças à segurança nacional.
Desafios na cúpula de Washington
Apesar da tentativa de aproximação, fontes afirmam que as expectativas para a cúpula permanecem modestas. É improvável que os mecanismos de investimento apresentem resultados práticos imediatos, devido ao ambiente desafiador e às divergências sobre quais produtos devem ser classificados como "não sensíveis".
Atualmente, as duas nações discutem cerca de 10 categorias de bens para inclusão em uma lista de produtos de menor sensibilidade. Outro ponto de tensão é a pressão dos Estados Unidos para que a China cumpra o acordo de trégua comercial firmado em outubro, que previa a suspensão de alguns controles de exportação e tarifas.
O governo chinês, por sua vez, tem pressionado por mais alívio tarifário. Em julho, o Ministério do Comércio da China informou que ambos os lados exploravam reduções recíprocas que poderiam abranger US$ 30 bilhões em produtos.
