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Paraguai

Após renúncia recusada pelo Congresso, opositor afirma que Peña quer evitar prisão e devolver dinheiro

Efraín Alegre afirma que pedido de renúncia do presidente paraguaio busca manter imunidade e evitar prestação de contas.

Por Redação Diário Local

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, apresentou um pedido de renúncia na quinta-feira (5), mas a votação foi suspensa pelo Congresso Nacional por falta de quórum. Com a ausência de parlamentares suficientes — eram necessários 41 e compareceram apenas 40 —, Peña permanece no cargo e aguarda o desdobramento do processo de impeachment, que já havia sido aprovado por 78 votos na Câmara dos Deputados.

A crise institucional no país teve início após o colapso do Ueno Bank, um banco digital que sofreu intervenção do Banco Central paraguaio na segunda-feira (2). A medida foi tomada após a instituição financeira não cumprir requisitos mínimos de solvência, o que deixou cerca de 3 milhões de clientes sem acesso às contas.

O cenário de instabilidade está diretamente ligado ao histórico econômico de Peña, que foi acionista do Grupo Vázquez, controlador do Ueno Bank, até março de 2025. A crise financeira envolve montantes expressivos, com a movimentação de quase US$ 900 milhões do setor público e US$ 2 bilhões do setor privado.

Críticas sobre a tentativa de renúncia

O opositor Efraín Alegre, que disputou o pleito presidencial em 2023, afirmou que a renúncia de Peña é uma estratégia para evitar o processo penal e manter a imunidade. Segundo Alegre, o objetivo seria escapar de julgamentos e da obrigação de devolver valores após o colapso da instituição.

Alegre também atribuiu responsabilidades ao vice-presidente Pedro Alliana e a órgãos reguladores, como o Banco Central e a Superintendência de Bancos. Para o político, houve uma modificação de normas que permitiu ao banco, que antes era uma financeira, operar com volumes bilionários de recursos.

O opositor comparou a situação ao caso Master, ocorrido no Brasil, argumentando que operações desse tipo exigem cumplicidade política. Ele destacou que o impacto financeiro afeta principalmente cidadãos vulneráveis, mencionando inclusive o prejuízo ao Instituto de Previdência Social.

Perspectivas para o Paraguai

Apesar do movimento de renúncia, a expectativa da oposição é que o Congresso não aceite o pedido e prossiga com o julgamento político. Caso o processo avance, Peña perderia a imunidade, o que permitiria a atuação direta do Ministério Público e do Poder Judiciário.

Sobre a possibilidade de novos pleitos, a análise é de que não haverá eleições imediatas, mas sim um processo constitucional de sucessão para preencher o cargo. A crise atual deve servir como pano de fundo para as próximas disputas políticas, previstas para 2028.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.