Pilotos de cargueiro da Amazon tentaram abortar pouso antes de acidente fatal, diz NTSB
Dados de voo indicam que equipe tentou interromper pouso de Boeing 767 após toque na pista em Miami; acidente matou cinco pessoas.
Por Redação Diário Local
Os pilotos de um avião cargueiro da Amazon Prime Air envolvido em um acidente fatal tentaram abortar o pouso após a aeronave tocar a pista, conforme dados do Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos (NTSB). As informações foram divulgadas pelo órgão nesta quarta-feira (9).
O Boeing 767, operado pela empresa 21 Air, ultrapassou a pista por aproximadamente 396 metros e colidiu com dois veículos no último domingo (6). A ocorrência deixou cinco mortos e cinco feridos.
O que indicam os dados de voo?
Segundo o NTSB, o trem de pouso dianteiro e o principal direito tocaram o solo a uma velocidade de 291 km/h, 30 segundos antes do fim da gravação dos dados. O trem de pouso principal esquerdo tocou a pista 19 segundos antes do término da gravação, a 248 km/h.
Os registros mostram que, logo após os toques, os freios foram liberados e as manetes de potência foram aumentadas para níveis compatíveis com uma tentativa de arremetida. No entanto, 11 segundos antes do fim da gravação, as manetes foram reduzidas para marcha lenta e os freios foram acionados novamente. A velocidade final no solo era de 120 km/h quando a gravação terminou.
Os investigadores não encontraram indícios de que os spoilers ou os reversores de empuxo tenham sido acionados para auxiliar na frenagem da aeronave.
Investigação e operação no aeroporto
Uma equipe de 32 investigadores liderada pela presidente do NTSB, Jennifer Homendy, trabalha no Aeroporto Internacional de Miami. Homendy informou que os pilotos deveriam ser entrevistados nesta quarta-feira (9) para o fornecimento de novos detalhes sobre o gravador de voz da cabine.
O avião realizava seu terceiro voo do dia, vindo de San Juan, em Porto Rico, após ter percorrido o trecho Cincinnati-Miami e Miami-San Juan no domingo (6). O comandante, de 55 anos, possui 7.145 horas de voo, enquanto o primeiro oficial, de 37 anos, possui 2.655 horas de voo.
Até o fim da terça-feira (8), uma das duas pistas que estavam fechadas desde o acidente foi liberada para decolagens no sentido leste.
