Falha em programas de auxílio faz agricultores voltarem ao plantio de coca na Colômbia
Agricultores relatam falta de apoio financeiro e infraestrutura, o que impulsiona recorde de cultivo de coca no país.
Por Redação Diário Local
O plantio de coca na Colômbia atingiu níveis recordes, ultrapassando 250 mil hectares, em meio a relatos de agricultores sobre a falha nos programas de substituição de cultivos. A falta de apoio financeiro prometido e a precariedade da infraestrutura rural têm levado produtores a abandonarem culturas legais em favor da planta utilizada para a produção de cocaína.
A dificuldade de escoamento da produção, causada pela falta de estradas e por inundações recorrentes em regiões remotas, é um dos principais obstáculos para quem tenta substituir o plantio por produtos como mandioca e banana. Sem alternativas viáveis de renda e assistência, o retorno à atividade ilícita torna-se uma opção de subsistência para muitas famílias.
Por que os programas de substituição enfrentam dificuldades?
O Programa Nacional Integral de Substituição de Cultivos Ilícitos (PNIS), derivado do acordo de paz de 2016 entre o governo e as FARC, foi uma das tentativas mais ambiciosas de mudar a realidade rural. A iniciativa previa o pagamento de 36 milhões de pesos colombianos — aproximadamente R$ 57 mil — para as famílias que abandonassem a coca, além de suporte técnico e manejo de solo.
No entanto, agricultores relatam que o compromisso estatal foi insuficiente. Entre as queixas estão atrasos nos pagamentos e a ausência de apoio técnico no campo. A mudança de prioridades políticas em gestões anteriores também afetou o ritmo das ações, dificultando a chegada dos recursos às comunidades mais isoladas.
Além da questão financeira, a segurança nas áreas rurais é um fator crítico. Com a desmobilização de grandes grupos guerrilheiros, outros grupos armados ocuparam o território, controlando rotas de tráfico e as economias locais, o que torna a atuação de programas de substituição mais complexa.
O impacto econômico da coca na região
O cultivo da folha de coca apresenta vantagens logísticas e financeiras para os produtores locais. Segundo o pesquisador Lucas Marín Llanes, especialista na economia da coca, as colheitas são rápidas, permitindo de três a quatro ciclos por ano, além de possuírem um mercado de venda mais garantido e de fácil transporte.
Estudos indicam que a atividade chegou a elevar o PIB municipal em até 10% em áreas específicas entre 2014 e 2019. A existência dessa economia estruturada faz com que o governo precise de medidas que vão além da troca de sementes, focando na substituição de toda a logística e agroindústria que envolve o setor.
Para tentar reverter o cenário, o governo iniciou a implementação do programa RenHacemos. O projeto busca utilizar a base do PNIS, mas com um foco maior na diversificação econômica e em melhorias de infraestrutura, como conectividade digital, acesso ao ensino superior e estradas, visando criar alternativas duradouras para as populações rurais.
