Vítimas de Jeffrey Epstein processam governo dos EUA e Google por vazamento de dados
Falha na ocultação de dados pelo Departamento de Justiça expôs nomes e endereços de sobreviventes de abusos cometidos pelo financista.
Por Redação Diário Local
Vítimas de abusos sexuais cometidos pelo financista Jeffrey Epstein e seus associados entraram com processos contra o governo dos Estados Unidos e o Google. A ação judicial ocorre após a divulgação de centenas de milhares de documentos pelo Departamento de Justiça dos EUA (DOJ) que expuseram dados sensíveis de sobreviventes, testemunhas e informantes.
A falha na proteção de dados aconteceu em janeiro deste ano, quando o DOJ liberou o acervo relacionado ao caso. Um advogado do órgão afirmou que a exposição de informações que permitiam identificar as vítimas foi causada por um "erro humano ou técnico". Após o incidente, o Departamento de Justiça prometeu revisar e ocultar dados sensíveis antes de republicar os documentos.
No entanto, análises detalhadas do acervo mostraram que as informações continuaram vulneráveis. Foram identificados arquivos que ainda continham nomes, rostos e endereços de e-mail. Em um caso específico, uma sobrevivente teve seu nome revelado na última página de uma transcrição, apesar de o restante do documento estar protegido.
As falhas também foram detectadas em arquivos de áudio. Pesquisadores do grupo de Distribuição de Mídia e Segurança (MDS), do Instituto Fraunhofer, identificaram que as técnicas de ocultação foram inconsistentes. Em certas gravações de denúncias feitas por linhas telefônicas oficiais, era possível ouvir o nome completo de pessoas enquanto apenas o número de telefone era encoberto.
Especialistas do instituto alertaram que o tipo de material deveria ser tratado com extremo cuidado, pois uma vez que a informação sensível é divulgada, o dano não pode ser desfeito. Sobreviventes relatam que a exposição resultou em episódios de humilhação, assédio e até ameaças físicas.
Diante das irregularidades, o Escritório do Inspetor-Geral do DOJ, que é um órgão independente, anunciou o início de uma auditoria. O objetivo é verificar se o departamento cumpriu a Lei de Transparência dos Arquivos Epstein e avaliar os processos internos de ocultação de registros sob sua posse.
No âmbito legislativo, parlamentares apresentaram em julho a Lei de Transparência dos Arquivos Epstein II. O novo projeto de lei busca dar base jurídica para que governos estaduais e as próprias vítimas possam processar o Departamento de Justiça caso as regras de proteção de dados estabelecidas na legislação original não sejam cumpridas.
Até o momento, o Departamento de Justiça não respondeu aos questionamentos sobre as conclusões que apontam a presença de dados identificáveis na biblioteca oficial de arquivos do caso.
