Clínicas na Coreia do Sul oferecem tratamento de rejuvenescimento com tecido humano doado
Procedimento utiliza matriz extracelular de pele humana para reconstrução facial e custa quatro vezes mais que métodos tradicionais.
Por Redação Diário Local
Clínicas de estética na Coreia do Sul passaram a oferecer tratamentos de rejuvenescimento que utilizam tecido humano doado para tentar reverter sinais de envelhecimento da pele. O procedimento, realizado em centros de estética em Seul, utiliza uma matriz extracelular (MEC) — uma estrutura rica em proteínas, como o colágeno, obtida a partir de pele humana processada.
O material é injetado no rosto e no pescoço para criar um suporte onde as células do próprio organismo possam se desenvolver. De acordo com o dermatologista Kim Han-saem, da Clínica de Dermatologia do Departamento de Defesa de Seul, o tecido é utilizado sem células para evitar rejeição imunológica e efeitos colaterais alérgicos.
Uma sessão do produto Re2O, que lidera essa nova onda, custa entre 600 mil e 800 mil won sul-coreanos, o que equivale a cerca de R$ 2 mil a R$ 2,7 mil. O valor é aproximadamente quatro vezes superior ao de tratamentos tradicionais de rejuvenescimento.
Demanda e mercado
A procura pelo procedimento cresceu de forma acelerada, superando a capacidade de produção atual. Segundo Kim Han-saem, alguns pacientes chegam a esperar até um mês por uma consulta.
A empresa de biotecnologia L&C Bio Co., responsável pelo desenvolvimento do Re2O, registrou um aumento expressivo em seus resultados. O lucro operacional no primeiro trimestre subiu 917% em relação ao mesmo período do ano anterior, chegando a 6 bilhões de won.
O presidente-executivo da companhia, Lee Whan Chul, afirmou que a empresa recebe consultas de várias partes do mundo devido ao crescimento da indústria da beleza coreana. O produto já é exportado para Singapura e Japão, com planos de expansão para a Austrália, Hongla Kong, Malásia, Rússia, Tailândia e o mercado americano no próximo ano.
Tendências globais
O crescimento desse setor acompanha o envelhecimento da população mundial. Estima-se que o mercado global de produtos e serviços antienvelhecimento possa quase dobrar até 2035, alcançando US$ 150 bilhões, impulsionado principalmente pela Ásia.
Na Coreia do Sul, o número de cirurgiões plásticos em consultórios particulares também apresentou alta, ultrapassando 2.700 profissionais na última década. Especialistas de outras áreas têm migrado para a medicina estética devido à alta demanda e salários mais elevados.
A popularização desses métodos regenerativos, que também incluem opções com DNA de salmão e colágeno de porco, levanta discussões éticas. Críticos questionam se o uso de tecidos doados para fins cosméticos pode competir com aplicações médicas essenciais, como o tratamento de queimaduras e reconstruções mamárias.
