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Europa

Seca extrema reduz níveis de rios na Europa e afeta produção de energia e transporte

Níveis recordes de baixa nos rios Danúbio e Reno impactam usinas nucleares, cruzeiros e a logística de cargas no continente.

Por Redação Diário Local

A combinação de calor intenso e falta de chuvas está causando uma redução drástica nos níveis dos principais rios da Europa, gerando crises no transporte de mercadorias e na produção de energia. Imagens de satélite mostram os cursos d'água severamente reduzidos, expondo bancos de areia e margens que costumam ficar submersas.

Os rios Danúbio e Reno, dois dos mais importantes do continente, são os mais afetados pela seca prolongada. A situação impacta desde a geração de eletricidade hidrelétrica e o resfriamento de usinas até o turismo e o fornecimento de habitats para a vida selvagem.

Impacto na energia na Hungria e Romênia

Na Hungria, o nível do rio Danúbio em Budapeste caiu para cerca de 10 centímetros nesta segunda-feira (3). A marca supera o recorde de baixa registrado em 2018, que era de aproximadamente 33 centímetros. O baixo volume de água provocou uma crise energética no país, obrigando a usina nuclear de Paks a operar com cerca de 10% de sua capacidade.

Atualmente, apenas um dos reatores da usina de Paks permanece em funcionamento, pois o nível do rio impede o resfriamento necessário para os demais. O primeiro-ministro da Hungria, Péter Magyar, agradeceu à indústria e às residências pela redução voluntária no consumo de energia durante os períodos de pico noturnos.

A Romênia também busca soluções emergenciais para garantir a operação da usina nuclear de Cernavodă. Na última segunda-feira (3), forças navais utilizaram explosivos para abrir passagens na rocha e tentar redirecionar o fluxo do Danúbio. Além disso, há planos para construir uma barragem temporária utilizando duas barcaças carregadas com pedras.

Crise no transporte e logística no Rio Reno

O rio Reno, que atravessa países como a Suíça, Alemanha e Holanda, também opera em níveis críticos. A redução é resultado da baixa quantidade de neve nos Alpes durante o inverno e de cinco ondas de calor sucessivas. Em Kaub, na Alemanha, o nível da água atingiu cerca de 23 centímetros na quarta-feira (5), quebrando o recorde anterior de 2018.

A seca impacta diretamente as cadeias de abastecimento, já que o Reno é uma rota fundamental para o transporte de petróleo, carvão, minerais e alimentos. Para evitar o encalhamento, navios comerciais precisaram reduzir o volume de suas cargas em até 80%, o que encarece o transporte e restringe a movimentação de barcaças.

A empresa química Lanxess informou que, devido à impossibilidade de alcançar alguns pontos de carga e descarga, o transporte de mercadorias está sendo transferido para rodovias e ferrovias. Além do Reno, outros rios como o Pó, na Itália, e o Loire, na França, também registram níveis excepcionalmente baixos.

Alertas de cientistas sobre o futuro

Especialistas afirmam que a ocorrência desses recordes de seca deve se tornar mais frequente. O professor de ciência climática Richard Allan, da Universidade de Reading, na Inglaterra, afirma que os extremos hidrológicos atuais são apenas o início de um cenário de gestão de recursos hídricos cada vez mais desafiador.

De acordo com o pesquisador, para limitar esses eventos é necessário reduzir rapidamente a emissão de gases de efeito estufa em todos os setores da sociedade, priorizando políticas de longo prazo em vez de apenas medidas emergenciais.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.