Soldados amotinados atacam sede da presidência e aeroporto no Níger
Ataques na capital Niamey provocaram tiroteios, explosões e interrupção de transmissões de rádio e televisão estatais neste sábado (29).
Por Redação Diário Local
Soldados amotinados atacaram o aeroporto e a sede da presidência em Niamey, capital do Níger, durante a madrugada deste sábado (29). O ataque gerou horas de tiroteios e explosões, além de interromper temporariamente as transmissões de rádio e televisão estatais no país.
O Ministério da Defesa do Níger informou, no final da manhã, que as forças militares estão retomando progressivamente o controle das áreas alvos do ataque. Apesar do comunicado oficial, fontes de segurança relataram que a situação ainda é incerta e que ainda há amotinados no aeroporto.
A televisão estatal, após restabelecer o sinal, exibiu uma mensagem confirmando que militares de uma base em Niamey abriram fogo contra locais sensíveis da capital. Em nota, as autoridades afirmaram que as forças de segurança reagiram prontamente para conter o distúrbio.
O episódio representa uma nova ameaça ao governo de Abdourahamane Tiani, que assumiu o poder após um golpe de Estado em 2023. Desde então, Tiani tem enfrentado dificuldades para cumprir a promessa de aumentar a segurança na região do Sahel, onde ataques extremistas são frequentes.
Fontes de segurança e especialistas indicam que o motim pode ter tido participação de militares vindos das localidades de Ouallam, Tera e Dosso, no sudoeste do país. Nessas regiões, as tropas sofreram baixas significativas em combates contra o braço regional do Estado Islâmico.
Analistas apontam que o histórico de combates tem gerado um aumento na frustração entre as unidades que atuam na linha de frente. Há dúvidas sobre a extensão da adesão dos soldados ao motim e o número exato de militares envolvidos na movimentação em direção à capital.
A instabilidade ocorre em um momento de reestruturação do setor mineral no Níger, que é um importante produtor mundial de urânio, petróleo e ouro. Recentemente, o governo realocou licenças de exploração de urânio de empresas estrangeiras para empresas estatais por meio de decreto.
O governo de Tiani tem buscado autonomia política ao estreitar laços com a Rússia e romper com o bloco regional da CEDEAO. Esse movimento de isolamento ocorre enquanto o país tenta reforçar o controle sobre seus recursos naturais e enfrentar as insurgências ligadas ao Al-Qaeda e ao Estado Islâmico.
