Uefa, AFC e Concacaf exigem investigação contra Gianni Infantino após plano de venda da Copa do Mundo
Confederações criticam conduta do presidente da Fifa por proposta de venda de participação nos direitos da Copa do Mundo.
Por Redação Diário Local
A União Europeia de Futebol (UEFA), a Confederação Asiática de Futebol (AFC) e a Concacaf — que administra o futebol no Caribe, na América do Norte e na América Central — divulgaram, nesta segunda-feira (10), uma carta aberta criticando a conduta do presidente da Fifa, Gianni Infantino. O documento exige uma análise totalmente independente sobre a tentativa de venda de participações nos direitos comerciais da Copa do Mundo.
As três confederações afirmaram que Infantino quebrou a confiança das entidades "por meio de engano" ao propor e, posteriormente, abandonar um plano de venda de direitos comerciais. No comunicado direcionado à "família do futebol", o grupo declarou que o dirigente agiu de forma individualista, colocando-se acima do interesse coletivo das instituições.
A crise institucional teve origem na proposta de Infantino para separar os direitos de comercialização da Copa do Mundo e vender 20% de uma participação a investidores privados. A medida visava arrecadar aproximadamente US$ 4,2 bilhões, mas o projeto foi abandonado após as críticas.
No texto, as entidades ressaltaram que a liderança no futebol deve ser vista como um dever de serviço, e não como uma posse ou exercício de poder pessoal. Segundo a carta aberta, quando a confiança é quebrada por engano e o líder prioriza a si mesmo em detrimento do coletivo, o dever de liderança é considerado abandonado.
Ameaça de boicote e novas competições
A UEFA, com o apoio da AFC e da Concacaf, ameaçou boicotar os torneios organizados pela Fifa. O grupo exige garantias de que nenhum esquema de comercialização semelhante será proposto no futuro para as competições da entidade máxima do futebol.
Fontes próximas aos procedimentos indicam que o movimento ocorre em um momento em que Infantino busca a reeleição no próximo ano. A carta aberta é vista como uma oportunidade para que o dirigente deixe o cargo com a dignidade intacta, caso decida não disputar o mandato.
Para garantir que os jogadores continuem competindo durante a crise, as três confederações avaliam a possibilidade de organizar competições próprias entre si. A medida visa contornar o impasse institucional que atualmente divide as entidades e a Fifa.
O posicionamento das três instituições reforça o apelo pela unidade do esporte, exigindo que a liderança da Fifa sirva ao futebol de forma coletiva, em vez de buscar apenas o comando das estruturas existentes.
