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Uefa convoca reunião de emergência para discutir possível boicote a torneios da Fifa

Entidade europeia reúne 55 federações para responder à proposta da Fifa de vender ações de nova subsidiária a investidores privados

Por Redação Diário Local

A União Europeia de Futebol (Uefa) convocou uma reunião emergencial para esta quinta-feira (30) para discutir uma resposta à proposta da Fifa de criar uma empresa e vender ações a investidores privados. Entre as opções avaliadas pelas 55 federações nacionais filiadas à entidade europeia está a possibilidade de um boicote aos torneios organizados pela Fifa, incluindo a Copa do Mundo Feminina de 2027, que será realizada no Brasil.

O impasse ocorre devido ao plano de criar a Fifa Forward Enterprise (FFE), uma nova subsidiária que teria o controle majoritário da Fifa e seria responsável por consolidar as operações comerciais e as principais competições da organização. Segundo a Fifa, a FFE teria um valor total estimado em US$ 20 bilhões (R$ 102,3 bilhões).

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, explicou nesta quarta-feira (29) que a proposta passará por votação de todas as associações-membro e do conselho da entidade. A ideia central é a venda de participações equivalentes a US$ 4,2 bilhões (R$ 21,5 bilhões) para investidores privados, que atuariam como minoritários na nova companhia.

O que propõe a Fifa?

A Fifa sustenta que a injeção de capital privado é estratégica para potencializar os direitos de transmissão e os patrocínios de todo o seu portfólio, abrangendo o futebol masculino, feminino e de base. A entidade projeta que o modelo de negócio permitirá um aumento significativo nos repasses financeiros para as federações nacionais.

Atualmente, o repasse feito pela Fifa para cada país membro é de R$ 41 milhões. Caso a proposta seja aprovada, os valores poderiam subir para R$ 102 milhões até o ciclo da Copa do Mundo de 2030, chegando a R$ 112,5 milhões até 2034 e atingindo R$ 123 milhões até o ano de 2038.

Reação da Uefa e de outras federações

A Uefa posicionou-se oficialmente contra a ideia na última terça-feira (28). Em nota, a entidade afirmou que a proposta cruza uma linha institucional e que a governança do futebol não deve ser tratada como um ativo para negociação, citando ainda a falta de transparência sobre os ganhos financeiros envolvidos.

O posicionamento contrário da entidade europeia ganhou o apoio da Confederação da América do Norte, Central e Caribe (Concacaf) e da Confederação Asiática de Futebol (AFC). Somadas, essas três confederações representam 143 dos 211 membros da Fifa, formando uma ampla maioria no cenário mundial.

Apesar da forte oposição, a proposta não possui unanimidade entre os membros. A federação da República Tcheca já manifestou apoio ao plano de Infantino, sinalizando divisões internas sobre o futuro da gestão comercial das competições globais de futebol.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.