União Europeia proíbe marcas de luxo de destruírem produtos não vendidos
Nova regulamentação obriga empresas a doarem, reciclarem ou revenderem itens não comercializados para evitar desperdício.
Por Redação Diário Local
A União Europeia anunciou uma nova regulamentação que proíbe grandes empresas de destruírem roupas, calçados e acessórios que não foram vendidos. A medida obriga o setor de luxo a buscar formas de conciliar a rentabilidade com a responsabilidade ambiental, proibindo o descarte de mercadorias novas para preservação de imagem.
De acordo com as novas regras, as marcas deverão dar uma segunda destinação aos produtos excedentes. Entre as opções permitidas estão a venda por meio de canais de liquidação de estoque, a doação para instituições, o reparo, o recondicionamento ou a reciclagem dos materiais.
A destruição de itens só será autorizada em situações específicas, como quando o produto estiver danificado, for falsificado ou apresentar riscos ao consumidor.
Por que a medida foi adotada?
A decisão responde ao volume de desperdício no setor têxtrico. Segundo dados da Agência Europeia do Meio Ambiente, entre 4% e 9% dos produtos têxteis colocados no mercado europeu são destruídos antes mesmo de serem utilizados.
Esse volume representa, anualmente, entre 264 mil e quase 600 mil toneladas de roupas, calçados e acessórios novos. Para as autoridades de Bruxelas, o desperdício é incompatível com as metas climáticas do bloco e com a estratégia de economia circular.
Quais os desafios para as marcas de luxo?
A aplicação da regra é complexa para o mercado de luxo porque o valor desses itens está atrelado à ideia de exclusividade e raridade. Por muito tempo, a destruição de itens não vendidos foi utilizada para evitar que produtos chegassem ao mercado por meio de liquidações em larga escala, o que poderia reduzir o valor percebido das coleções.
Grupos do setor recebem a regulamentação com cautela, pois o direcionamento de produtos para mercados secundários pode, na visão de alguns players, banalizar artigos associados à exclusividade.
Como as empresas devem se adaptar?
As marcas terão de rever suas estratégias de gestão de estoques. Uma das alternativas é o armazenamento prolongado dos produtos, embora isso envolva custos extras com logística, seguro e manuseio.
Outra possibilidade é a ampliação de canais de revenda sob controle rigoroso das próprias marcas. Algumas empresas já investem em programas próprios de itens usados ou recondicionados.
Uma terceira estratégia consiste em produzir menores volumes, ajustando a fabricação à demanda real do mercado para evitar o acúmulo de excedentes.
