Diário Local
Rio de Janeiro

Alta nos aluguéis no Rio de Janeiro expulsa moradores de bairros da Zona Sul para outras regiões

Valor do metro quadrado para locação subiu 42,7% em três anos e impulsiona busca por bairros fora da rota turística

Por Diário Local

O aumento no custo dos aluguéis no Rio de Janeiro está levando moradores de bairros tradicionais a buscar moradia em regiões fora da rota de turistas e investidores ou, em alguns casos, a deixar a cidade. A alta dos preços tem dificultado a permanência de residentes em áreas como a Zona Sul.

De acordo com dados do mercado imobiliário, o valor médio do metro quadrado para locação no Rio de Janeiro saltou de R$ 36,1, em maio de 2023, para R$ 51,6 em maio de 2026. O crescimento representa uma alta de 42,7%, índice que supera os 14,9% registrados pela inflação no mesmo período.

O movimento de encarecimento é ainda mais acentuado em imóveis menores. Segundo o QuintoAndar, o metro quadrado de apartamentos de um quarto teve alta de 51,4% nos últimos três anos.

Por que os preços na Zona Sul subiram tanto?

A valorização é mais intensa nos bairros mais procurados por estrangeiros. Levantamento do Grupo OLX aponta que, entre 2021 e 2026, o preço médio do metro quadrado para aluguel em Copacabana subiu de R$ 35 para R$ 71, uma alta de 101,8%.

Em Ipanema, o valor passou de R$ 55 para R$ 115 (alta de 108,3%), enquanto no Leblon o metro quadrado avançou de R$ 58 para R$ 119 (alta de 105,7%) no mesmo intervalo.

Especialistas relacionam esse fenômeno à maior visibilidade internacional do Rio. A cidade se consolidou como o principal destino de entrada de visitantes estrangeiros no país, registrando 884,5 mil chegadas no primeiro trimestre de 2026, segundo dados da Embratur, do Ministério do Turismo e da Polícia Federal.

Qual o impacto dos nômades digitais na cidade?

Além do turismo convencional, a presença de trabalhadores remotos tem influenciado a procura por locações de curta e média duração. Dados do Itamaraty indicam que foram emitidos 479 vistos de nômade digital em 2024 e 508 em 2025. Apenas nos três primeiros meses de 2026, outros 117 estrangeiros obtiveram o documento.

Embora o volume de nômades seja menor que o total de turistas, observa-se que parte desses profissionais ingressa no país como turista e permanece por períodos prolongados, o que amplia a pressão sobre o mercado imobiliário em bairros valorizados.

Para escapar dos altos custos, moradores têm adotado diferentes estratégias. Alguns migram para a Região Metropolitana, como Niterói, em busca de um custo de vida compatível com a renda, enquanto outros optam por bairros da Zona Norte, como Vila Isabel e Tijuca, onde os preços são menores e a atmosfera é menos voltada ao turismo.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.