Casarão histórico no Centro do Rio pode virar bistrô e atrair público ao Convento de Santo Antônio
Imóvel em estilo art nouveau abriga documentos da Ordem Terceira e deve receber investimento de até R$ 3 milhões para restauração.
Por Redação Diário Local
Um casarão histórico em estilo art nouveau, localizado no Largo da Carioca, no Centro do Rio de Janeiro, pode ser transformado em um bistrô ou café após um processo de restauração. O imóvel, que integra o conjunto arquitetônico do Convento de Santo Antônio, busca investidores para um projeto de recuperação que deve exigir entre R$ 2 milhões e R$ 3 milhões em investimentos.
A construção serviu por muitos anos como sede administrativa da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência. Apesar de estar degradado e sem telhado há pelo menos 15 anos, o prédio ainda preserva elementos originais, como azulejos trabalhados, piso hidráulico, janelas em arabesco e um cofre de ferro de estilo inglês.
A proposta de reativação visa aproveitar o fluxo de pessoas na região e a revitalização da Rua da Carioca. Segundo Matheus Campelo, comissário administrativo e eclesiástico da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, o objetivo é oferecer um espaço de pausa e conexão com a natureza para quem circula pelo Centro.
O projeto de restauração contempla a recuperação de um jardim suspenso de aproximadamente mil metros quadrados, debruçado sobre o Largo da Carioca. O plano também inclui a restauração de uma fonte e de um elevador que facilita o acesso do público ao restante do conjunto arquitetônico, que inclui o convento e a "igreja de ouro".
Cláudio Castro, diretor da Sérgio Castro Imóveis, responsável pela negociação, destaca que o local possui alto potencial comercial pela localização estratégica. O imóvel é vizinho de uma estação de metrô e conta com proximidade de linhas de ônibus, VLT e do edifício Garagem Menezes Cortes, além de estar perto de um posto do programa Segurança Presente.
Por que o imóvel é historicamente importante?
A Ordem Terceira, que possui registros desde 1619, utilizou o casarão para guardar arquivos de grande valor histórico. Entre os documentos, existem papéis do século XVIII e um breve apostólico do século XVII, que se trata de um documento pontifício oficial concedido à instituição.
Atualmente, os documentos mais sensíveis e antigos, que incluíam títulos de propriedade de diversos imóveis da Ordem, encontram-se guardados no interior da igreja e passam por catalogação. A desativação do arquivo no casarão ocorreu há cerca de 40 anos.
A reativação do espaço também pretende abrir uma nova via de acesso ao conjunto arquitetônico por meio de uma rampa que dá para a Rua da Carioca. A intenção é criar uma "mancha verde" no coração do Centro do Rio, proporcionando um ambiente de calmaria em meio ao movimento da cidade.
