Nova ciclofaixa em mão dupla na Avenida Lúcio Meira gera polêmica e críticas em Teresópolis
Mudanças na Avenida Lúcio Meira incluem faixa bidirecional com largura abaixo do recomendado pelo Contran e faixa para ônibus.
Por Davy Albuquerque
A nova ciclofaixa implantada na Avenida Lúcio Meira, em Teresópolis, na Região Serrana do Rio, tem gerado polêmica e críticas de motoristas, ciclistas e moradores. A mudança faz parte de um projeto de reorganização do trânsito municipal que transferiu a ciclofaixa para o lado oposto da via, onde agora funciona em mão dupla para abrir espaço para uma faixa exclusiva de ônibus no sentido Várzea–Alto.
Críticos apontam que a nova estrutura não cumpre as dimensões recomendadas pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran). Enquanto o órgão estabelece que uma ciclofaixa bidirecional deve ter, no mínimo, 2,40 metros de largura, o trecho implantado em Teresópolis apresenta entre 1,70 e 1,80 metro.
A reorganização também impactou as pistas destinadas aos carros, que ficaram mais estreitas em ambos os sentidos da avenida devido à criação da faixa de ônibus. Segundo moradores, a redução do espaço aumentou a distância entre veículos e bicicletas, elevando a sensação de insegurança para quem circula pela via.
O uso do espaço também tem gerado riscos de acidentes, uma vez que pedestres utilizam a área para caminhadas e corridas. Registros feitos por moradores mostram pessoas caminhando pelo antigo espaço da ciclofaixa, que agora integra a pista de rolamento dos veículos.
Segurança e participação popular
A advogada Márcia Peixoto, representante do coletivo Em Movimento, afirma que as alterações comprometem a segurança de ciclistas e pedestres. Ela defende a revisão do projeto e critica a forma como as mudanças foram implementadas.
Segundo a representante do coletivo, o projeto teria sido realizado de maneira rápida e sem a participação da população. "Acreditamos que mudanças que causem impacto no dia a dia das pessoas precisam ser discutidas com a sociedade e não implementadas de maneira arbitrária", afirmou Márcia.
Como resposta às mudanças, moradores organizaram um abaixo-assinado que já reúne quase 700 assinaturas pedindo a revisão das intervenções. Relatos de acidentes ocorridos desde o início das alterações na avenida também reforçam o descontentamento da comunidade.
Posicionamento da Prefeitura
Em nota, a Prefeitura de Teresópolis informou que as intervenções integram um projeto de reorganização do trânsito do município. O órgão explicou que a instalação das faixas vermelhas tem o objetivo de aumentar a visibilidade das travessias e reduzir o risco de atropelamentos.
A administração municipal esclareceu que as obras ainda estão em andamento e que parte da sinalização definitiva não foi concluída. De acordo com o comunicado, toda a sinalização e a pintura de solo serão finalizadas nos próximos dias.
