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Expansão de ciclovias e parques em São Paulo estimula paulistanos a pedalar mais

Pesquisa com 1.500 moradores de 2014 a 2024 mostra que infraestrutura a menos de 500 metros de distância é decisiva para estimular o ciclismo.

Por Diário Local

A implantação de novas ciclovias e parques em São Paulo estimulou a prática de ciclismo entre os moradores da cidade, segundo um estudo que monitorou 1.500 paulistanos entre 2014 e 2024. A pesquisa constatou que a proximidade de ciclovias — a menos de 500 metros de casa — foi um fator decisivo para manter os residents em movimento.

De acordo com dados da prefeitura, a malha cicloviária da cidade cresceu de forma expressiva no período: saltou de 242 km para 743 km. Simultâneamente, São Paulo ganhou 15 novos parques municipais. A proporção de domicílios acompanhados na pesquisa próximos a ciclovias cresceu de 22% para 33,2%.

O estudo, coordenado pela Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP) e apoiado pela Fapesp, teve resultados publicados em abril no Journal of Transport & Health. A pesquisa utilizou entrevistas presenciais e telefônicas para monitorar os níveis de atividade física relacionada ao ciclismo e as condições de saúde relatadas pelos paulistanos em todas as regiões da cidade.

Como a infraestrutura influencia o comportamento

Os dados coletados foram cruzados com indicadores de acesso dos participantes a espaços públicos abertos existentes no entorno de suas residências — considerando um raio de 500 metros, distância média que um adulto percorre a pé em 10 a 15 minutos. A análise mostrou que, embora o uso da bicicleta tenha apresentado queda geral na população estudada ao longo da década, o grupo com acesso a dois ou três espaços públicos abertos próximos de casa permaneceu estável.

Esses espaços atuaram como fator de proteção contra a diminuição do uso da bicicleta ao longo do tempo. Parques registraram aumento moderado no período, de 9,4% para 12,7%, enquanto praças apresentaram estabilidade, variando de 68,4% para 69,3%.

Benefícios para a saúde coletiva

A ampliação dos espaços públicos abertos na cidade não apenas estimulou o deslocamento ativo, mas provocou impactos na saúde coletiva. A atividade física regular está comprovadamente associada à redução dos riscos de doenças cardiovasculares e câncer. Estudos também demonstram benefícios da prática de exercícios para a saúde mental, com reduções nas taxas de depressão e ansiedade.

Na avaliação dos pesquisadores, a integração de ciclovias no planejamento urbano é uma estratégia de saúde pública. Essas intervenções contribuem para o desenvolvimento de cidades mais saudáveis ao reduzir a dependência de automóveis, a poluição do ar e os sinistros de trânsito, servindo como mecanismo de mitigação das mudanças climáticas.

Expansão desigual pelas regiões

Apesar do aumento dos espaços públicos abertos promovido pelo Plano Diretor de São Paulo aprovado em julho de 2014, a expansão de ciclovias ficou mais concentrada nas regiões mais ricas da cidade. Pesquisadores apontam que é preciso implantar mais ciclovias não apenas na região central, mas também na centro-oeste e nas zonas leste e sul, onde há menor presença dessas infraestruturas.

Outras medidas necessárias

As ciclovias, contudo, não são a única solução para estimular o uso de bicicleta em São Paulo. São necessárias outras intervenções, como abrir ruas de lazer, ampliar o sistema de compartilhamento de bicicletas, implantar estacionamentos de bicicletas em grandes estações de transporte e realizar intervenções com famílias para disponibilizar locais para banho em rotas de trabalho e estudo.

Além disso, mudanças não relacionadas diretamente ao planejamento urbanístico são essenciais. A bicicleta ainda é cara no Brasil, e o ciclismo é uma atividade praticada principalmente por homens. Estudos anteriores conduzidos pelos pesquisadores indicam que as ciclovias têm sido usadas em São Paulo não somente para o tráfego de bicicletas, mas também para práticas de exercícios físicos como caminhadas e corridas, dada a escassez de espaços públicos abertos na cidade.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.