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Espírito Santo

População em situação de rua cresce no Espírito Santo e atinge 5 mil pessoas

Número de pessoas vivendo nas ruas no estado subiu para 5.008, segundo levantamento técnico; conflitos familiares são o principal motivo.

Por Redação Diário Local

A população em situação de rua no Espírito Santo registrou crescimento e atingiu o patamar de 5.008 pessoas, segundo informe técnico do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua (OBPopRua/Polos-UFMG) publicado em junho deste ano. No ano passado, o estado contabilizava 4.531 pessoas nessa condição, de acordo com dados do Cadastro Único (CadÚnico).

Com o novo número, o Espírito Santo ocupa a 13ª posição entre as unidades da federação no ranking nacional. A maior concentração de registros está na Grande Vitória, onde se concentra parte significativa da população vulnerável.

Vitória registra 1.146 pessoas em situação de rua em 2025, conforme dados do Observatório de Direitos Humanos do Espírito Santo (ODHES). Na sequência, aparecem os municípios de Serra, com 722 pessoas; Vila Velha, com 645; e Cariacica, com 332 registros.

Quais os principais motivos para a ida às ruas?

Conflitos e dificuldades no ambiente familiar são apontados como a principal causa para que indivíduos passem a viver nas ruas. Segundo dados do Observatório de Direitos Humanos do Governo Federal, cerca de 51% das pessoas cadastradas relataram problemas familiares como motivo para a situação de vulnerabilidade.

O consumo de álcool e outras drogas é a segunda causa mais citada, mencionada por 41% dos entrevistados. O desemprego aparece em terceiro lugar, com 39% das menções, seguido pela perda da moradia, relatada por 29% do grupo.

Para o diretor-geral do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), Antônio Rocha, o cenário reflete uma mistura de fatores sociais e econômicos. Segundo o pesquisador, embora a perda de renda e a insuficiência financeira influenciem no crescimento do índice, a questão é predominantemente marcada por problemas sociais.

Complexidade e saúde na trajetória de vulnerabilidade

O debate sobre a relação entre o uso de substâncias e a vida nas ruas é considerado complexo. Para Bruno Donato, liderança do Movimento Nacional da População em Situação de Rua no Espírito Santo, reduzir o fenômeno apenas ao consumo de drogas pode ocultar outras causas, como a violência doméstica, abusos e o rompimento de vínculos familiares.

A saúde também é um fator determinante na trajetória desses indivíduos. A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) afirma que a população de rua apresenta necessidades diversas, que incluem sofrimento psíquico, doenças infectocontagiosas, doenças crônicas e problemas de saúde bucal.

Em 2024, foram registradas 27.498 ações de saúde nos municípios capixabas voltadas especificamente para esse público, incluindo atendimentos individuais, odontológicos e diversos procedimentos médicos.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.