Diário Local
Rio de Janeiro

Crescimento de condomínios e falta de infraestrutura pressionam Vargens no Rio

Aumento da densidade em Vargem Grande e Vargem Pequena gera carência de serviços, falta de água e insegurança na Zona Sudoeste.

Por Redação Diário Local

Os bairros de Vargem Grande e Vargem Pequena, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro, enfrentam um processo de transformação urbana que sobrepõe o crescimento imobiliário à capacidade de infraestrutura local. A expansão, caracterizada pela instalação de grandes condomínios, tem gerado impactos na segurança, no fornecimento de serviços básicos e na gestão de áreas de preservação.

O crescimento populacional é comprovado por dados. Em Vargem Grande, a população subiu de 14.039 habitantes em 2010 para 20.663 em 2022, um salto de 47,18%. Já em Vargem Pequena, o aumento foi de 14,18%, passando de 27.250 para 31.115 moradores no mesmo período, segundo o Censo 2022 do IBGE.

O que muda com o modelo de condomínios?

A transição do antigo modelo de loteamentos para o formato de grandes condomínios fechados é apontada como um fator de desequilíbrio urbano. Diferente dos loteamentos tradicionais, que entregam ruas de acesso público à cidade, os novos empreendimentos funcionam como enclaves privados que não geram estrutura urbana proporcional.

Essa dinâmica tem causado problemas práticos para os residentes, como a carência de transporte adequado, falta de água e de energia elétrica. Além disso, o uso de aterros para a construção em áreas de relevo baixo agrava os alagamentos, comuns em terrenos naturalmente alagadiços da região.

Especialistas alertam que o planejamento atual não acompanha a ocupação. O arquiteto Ricardo Bitencourt afirma que o crescimento deveria estar condicionado à oferta de estrutura e infraestrutura urbana, mas o que ocorre é um avanço sem o devido suporte público.

Quais os riscos ambientais e de ocupação?

A região possui áreas de sensibilidade ambiental, como a Área de Proteção Ambiental do Sertão Carioca e o Refúgio de Vida Silvestre dos Campos de Sernambetiba. No entanto, a pressão por expansão imobiliária e construções irregulares desafia a preservação dessas zonas.

Há também o risco climático. Estudos indicam que as Vargens e áreas do Recreio dos Bandeirantes são suscetíveis a alagamentos devido à elevação do nível do mar e ocupação de áreas frágeis. Uma alternativa discutida em audiências públicas para o uso dessas terras seria o incentivo à atividade agrícola e agroecológica.

Como a segurança é afetada?

A segurança pública tornou-se uma preocupação central. A disputa territorial entre facções e milícias alcançou a região, com o mercado imobiliário e serviços de infraestrutura (como fornecimento de gás, água e energia) tornando-se alvos de exploração por grupos armados.

A arquitetura dos grandes condomínios também é citada como fator que impacta a percepção de segurança. O arquiteto Rogerio Goldfeld Cardeman explica que muros altos e o isolamento dos moradores dentro de condomínios reduzem a vitalidade do espaço público, o que pode aumentar a sensação de insegurança nas ruas.

No combate às irregularidades, a Secretaria municipal de Desenvolvimento Urbano e Licenciamento (SMDU) registrou que, entre 2024 e a primeira semana de agosto de 2026, foram embargadas 375 obras e emitidos 2.086 autos de infração na Área de Planejamento 4 (AP4), que engloba as Vargens, Barra da Tijuca, Jacarepaguá e Recreio dos Bandeirantes.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.