Expansão do metrô da Barra até o Recreio está prevista apenas para 2045, segundo plano diretor
Projeto para ampliar a Linha 4 prevê chegada ao Terminal Alvorada em 2035 e ao Recreio em 2045, conforme diretrizes de transporte.
Por Redação Diário Local
A expansão da Linha 4 do metrô do Rio de Janeiro, que pretende conectar a Barra da Tijuca ao Recreio dos Bandeirantes, tem previsão de conclusão apenas para 2045, segundo o Plano Diretor Metroviário (PDM). O cronograma projeta que o sistema chegue ao Terminal Alvorada até 2035, visando atender à crescente demanda da Zona Sudoeste.
A necessidade de transporte de alta capacidade é impulsionada pelo salto populacional na região. Dados do Censo de 2022 apontam que a população da Barra e do Recreio cresceu de 129.600 moradores, em 2000, para 290.400. Esse aumento, somado à chegada de novas empresas, intensificou o fluxo nas avenidas das Américas, Ayrton Senna, Lucio Costa e Salvador Allende.
Atualmente, a Linha 4 transporta uma média de 101 mil passageiros por dia em suas cinco estações. Na estação Jardim Oceânico, o volume é de 44 mil passageiros diários, segundo a concessionária MetrôRio. No entanto, moradores relatam dificuldades no trajeto entre o Terminal Alvorada e o metrô, onde dependem do BRT, que frequentemente apresenta lotação e intervalos irregulares.
Por que a expansão ainda não ocorreu?
Embora a viabilidade técnica da obra seja reconhecida, o principal desafio reside no aspecto financeiro. Marcus Quintella, diretor da FGV Transportes, explica que não há impedimento tecnológico para a obra, mas o Governo do Estado precisa encontrar verbas ou parceiros que não elevem excessivamente o valor da tarifa para o usuário final.
A Secretaria de Transporte e Mobilidade Urbana (Setram) informou que os estudos para a ampliação da Linha 4 ainda precisam passar por processo de licitação. A proposta prevê que o Terminal Alvorada exerça papel estratégico na integração de modais, com uma projeção de atendimento de aproximadamente 360 mil passageiros por dia.
Do ponto de vista da engenharia, a expansão exige projetos complexos, como a construção de um possível túnel de 23 quilômetros para ligar o Jardim Oceânico ao Recreio. Especialistas do Coppe/UFRJ ressaltam que, embora viável, é necessário cautela na avaliação da demanda específica para garantir a eficiência do investimento na Zona Sudoeste.
Reivindicações de moradores
Associações de moradores defendem a urgência de opções de transporte de massa para evitar o travamento do trânsito. Delair Dumbrosck, presidente da Câmara Comunitária da Barra da Tijuca (CCBT), afirma que o BRT e os ônibus atuais não sustentam o crescimento de condomínios e empresas na região.
No Recreio dos Bandeirantes, o cenário também é de alerta. Simone Kopezynski, presidente da Associação de Moradores do Recreio (Amor), observa que a estrutura viária não acompanhou o crescimento demográfico, dificultando o cumprimento de horários de compromissos devido ao congestionamento nas vias principais.
Em Jacarepaguá, a demanda por alternativas também é alta. A Associação de Moradores e Amigos da Freguesia (Amaf) defende a criação de uma Linha Transversal que ligaria o Jardim Oceânico a Belford Roxo, passando por pontos como Itanhangá, Rio das Pedras e Muzema, visando integrar a região à Baixada Fluminense.
