Abstenção nas eleições pode afetar mais Lula do que Flávio Bolsonaro no 2º turno
Índice de eleitores que não compareceram às urnas no 1º turno pode impactar resultado da disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro
Por Redação Diário Local
O elevado índice de abstenção registrado no primeiro turno das eleições pode impactar mais os resultados de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) do que os do senador Flávio Bolsonaro (PL). O grupo de mais de 33,4 milhões de eleitores que não compareceram às urnas no domingo (4) possui um perfil que, historicamente, tende a apoiar o atual presidente.
Analistas e cientistas políticos avaliam que o contingente de ausentes é formado, majoritariamente, por pessoas de baixa renda, baixa escolaridade, população jovem e idosos com mais de 70 anos. Esse recorte demográfico converge com o perfil de votantes que declaram apoio a Lula.
Dados de pesquisa do instituto Datafolha reforçam essa tendência ao traçar o perfil dos eleitores do petista. O levantamento mostra que 61% do grupo possui renda familiar de até dois salários mínimos e 60% declararam ter estudado apenas até o ensino médio.
A composição etária desse eleitorado também é relevante para o cenário eleitoral. Segundo o instituto, 53% dos eleitores de Lula têm até 24 anos e 51% possuem 60 anos ou mais.
Por que a abstenção é alta entre esses grupos?
O cientista político Antônio Lavareda aponta que obstáculos estruturais dificultam o deslocamento de eleitores de baixa renda para as seções eleitorais. A distância dos locais de votação e a logística familiar são barreiras significativas para esse público.
A questão do cuidado com dependentes também é um fator de peso. Lavareda exemplifica que o custo de deslocamento, a alimentação ao sair de casa e a dificuldade de conciliar o voto com o cuidado de filhos podem impedir o comparecimento.
Mesmo com a determinação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para a gratuidade do transporte público nos dias de votação, a medida é vista como pouco eficaz para neutralizar esses custos indiretos e dificuldades logísticas.
Nos casos das faixas etárias, as motivações variam. O cientista político Leandro Gabiatite explica que, entre os jovens, a abstenção pode estar ligada ao desinteresse pela política ou à descrença no sistema.
Já para os eleitores com mais de 70 anos, a ausência tem um componente legal. Como o voto para essa faixa etária é facultativo, a possibilidade de não comparecer às urnas acaba favorecendo a abstenção no dia do pleito.
Qual é a estratégia para o 2º turno?
Diante do cenário, a campanha de Lula aposta na mobilização direta para tentar reverter o índice de faltas no segundo turno. O presidente tem utilizado as redes sociais para convocar o eleitorado que permaneceu em casa na etapa anterior.
Uma das táticas adotadas é a comunicação por meio de vídeos no formato 'selfie'. A ideia é criar um modelo de postagem inédito para aproximar o petista do internauta e buscar um desempenho melhor nas plataformas digitais.
Contudo, a estratégia é considerada arriscada por especialistas. O histórico de eleições presidenciais entre 2010 e 2022 mostra que o número de faltas tende a não diminuir na segunda rodada, tendo aumentado em três das quatro disputas recentes.
O desafio para o petista é grande: para vencer a disputa, que será decidida no sábado (25), ele precisará reverter uma diferença de 2,2 milhões de votos em relação a Flávio Bolsonaro, baseando-se nos resultados obtidos no primeiro turno.
