Alcolumbre defende urnas eletrônicas e questiona coerência de críticas da oposição
Presidente do Senado questionou congressistas que contestam o sistema eleitoral apenas após o segundo turno e criticou ataques pessoais em campanhas.
Por Redação Diário Local
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), defendeu o uso das urnas eletrônicas e questionou a coerência de congressistas que contestam o sistema eleitoral apenas após o segundo turno das eleições. O discurso foi feito em plenário nesta quarta-feira (4), em um momento de tensão entre a base governista e a oposição no Congresso.
Alcolumbre argumentou que o sistema funcionou corretamente para eleger dezenas de parlamentares de partidos da oposição já no primeiro turno. Segundo o senador, não seria lógico considerar o sistema fraudado no segundo turno, no qual o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) saiu reeleito.
"No 1º turno a urna eletrônica prestou. Serviu para eleger 120 deputados federais do partido do candidato que perdeu a eleição, serviu para eleger 20 e tantos senadores. E quando abriu no 2º turno não prestou mais a urna?", afirmou o presidente da Casa em resposta a críticas do grupo de senadores que questionou o resultado.
O parlamentar também criticou o tom das campanhas eleitorais, lamentando que o debate sobre temas como saúde, democracia e desenvolvimento econômico tenha sido substituído por ataques pessoais. Para Alcolumbre, muitos atores políticos se promoveram "ofendendo e agredindo as pessoas" para conquistar votos no pleito de outubro.
Rompimento entre oposição e governo
A fala de Alcolumbre ocorreu no mesmo dia em que o líder do PL no Senado, Carlos Portinho (PL-RJ), anunciou o fim do diálogo com o Poder Executivo. O descontentamento da oposição surgiu após o Senado decidir retirar do debate da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública as emendas sobre a redução da maioridade penal.
A decisão de Alcolumbre foi encaminhar a discussão da maioridade penal para a Câmara dos Deputados, sob a justificativa de respeitar um acordo firmado com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). O senador Portinho criticou a manobra e afirmou que o Senado abriu mão de seu papel de casa revisora, ficando submetido à Câmara e ao Poder Judiciário.
O líder do PL reforçou que a oposição passará a obstruir pautas prioritárias do governo federal. Entre os temas que devem sofrer resistência da oposição estão a regulamentação das apostas de quota fixa (bets) e as discussões sobre escalas de trabalho.
O cenário de instabilidade ocorre paralelamente à formalização da candidatura do senador Rogério Marinho (PL-RN) à presidência do Senado, cargo que será disputado em 2027. Alcolumbre encerrou seu posicionamento pedindo que as bancadas retomem discussões sobre infraestrutura, educação e licenciamento ambiental.
