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Política

Aliados de Flávio Bolsonaro criticam proibição de visitas ao pai e apontam tratamento desigual

Senador Rogério Marinho e parlamentares do PL questionam decisão de Alexandre de Moraes que suspendeu visitas de Flávio a Jair Bolsonaro

Por Davy Albuquerque

Aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) criticaram, nesta segunda-feira (13), a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que proibiu o parlamentar de visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, por 90 dias. A medida foi tomada após a divulgação de uma carta atribuída ao ex-presidente durante uma transmissão ao vivo realizada no último sábado (11).

A restrição foi aplicada após o ministro considerar que Flávio Bolsonaro utilizou o direito de visita para obter o documento com o intuito de publicá-lo em redes sociais. Segundo a decisão, o episódio configuraria o uso indireto de plataformas digitais por Jair Bolsonaro, o que descumpriria as medidas cautelares impostas pela Corte contra o ex-presidente, que cumpre prisão domiciliar em Brasília.

O senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da Oposição no Senado e coordenador da pré-campanha de Flávio à Presidência da República, afirmou que a decisão é desproporcional e adota critérios diferentes de casos anteriores. Marinho comparou a situação ao período em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve preso, argumentando que, na época, o atual presidente manteve interlocução política e recebeu centenas de visitas.

Para Marinho, a proibição de visitas busca tornar o ex-presidente incomunicável e interfere no jogo político, prejudicando a pré-campanha de Flávio Bolsonaro durante o período eleitoral. O líder da oposição também afirmou identificar um padrão em decisões do STF relacionadas a pedidos apresentados pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ).

Por que Moraes proibiu as visitas?

Na decisão, o ministro Alexandre de Moraes apontou que o senador é reincidente no descumprimento de determinações judiciais ligadas ao pai. O magistrado citou um episódio de agosto de 2025, no qual Bolsonaro utilizou o celular de terceiros para enviar mensagens a apoiadores durante um ato em Copacabana, fato que motivou a decretação de sua prisão domiciliar.

Moraes também indicou que o ex-presidente tinha conhecimento prévio de que a carta seria divulgada. Com a suspensão das visitas, Flávio Bolsonaro poderá ficar sem contato presencial com o pai até o fim do primeiro turno das eleições de 2026. A defesa de Jair Bolsonaro terá um prazo para apresentar esclarecimentos sobre o ocorrido.

Reações na Câmara e no Senado

Parlamentares do PL manifestaram apoio ao senador Flávio Bolsonaro. A deputada Carol de Toni (PL-SC) afirmou que impedir o contato entre pai e filho por causa de uma carta representa interferência nas relações familiares e nos direitos individuais. Outra congressista do mesmo estado, Júlia Zanatta (PL-SC), questionou os fundamentos jurídicos da medida.

O deputado Mario Frias (PL-SP) também contestou a decisão e destacou que Jair Bolsonaro já definiu o senador como seu porta-voz e homem de confiança. Na carta divulgada no sábado, o ex-presidente declarou apoio à pré-candidatura de Flávio ao Planalto, chamando-o de "a melhor opção" para o país.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.