Michelle Bolsonaro reorganiza atuação política para preservar influência sem cargo no PL Mulher
Ex-primeira-dama foca em rede de candidatas e movimento 'Imparáveis' após deixar o comando do segmento feminino do PL
Por Davy Albuquerque
Michelle Bolsonaro está reorganizando sua atuação política para preservar sua influência junto a mulheres e lideranças religiosas, mesmo sem ocupar cargos formais no PL Mulher. A estratégia foca em uma rede de candidatas, campanhas estaduais e no movimento 'Imparáveis', uma frente de mobilização sem vínculo partidário.
A mudança ocorre após a ex-primeira-dama deixar a presidência do segmento feminino do partido e consolidar um rompimento político com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Segundo aliados, a nova dinâmica busca manter o capital político construído diretamente com prefeitas, vereadoras e dirigentes estaduais.
A reorganização começou a ser desenhada durante a crise com o senador. Enquanto o partido lidava com o rompimento, Michelle reduziu a exposição pública e intensificou reuniões remotas, voltando o foco para as mulheres que ajudou a lançar politicamente.
O que é o movimento Imparáveis?
O 'Imparáveis' é um movimento lançado recentemente pela equipe de comunicação de Michelle Bolsonaro. O projeto funciona como uma frente de mobilização sem vinculação partidária e não pretende substituir o PL Mulher ou atuar como braço da legenda.
A proposta é reunir pessoas identificadas com as pautas defendidas pela ex-primeira-dama, especialmente em temas voltados às mulheres. O modelo de comunidade é inspirado em formatos de engajamento digital, focando em formação política e mobilização permanente.
O cronograma do projeto, que inicialmente seria lançado em 2027, foi antecipado devido à saída de Michelle do comando do PL Mulher. O movimento busca ampliar a mobilização para além das estruturas tradicionais dos partidos.
Qual o foco das próximas campanhas?
Michelle Bolsonaro já trabalha com uma lista de candidaturas consideradas prioritárias. Antes mesmo da crise política, ela havia definido um grupo de 19 mulheres que pretende acompanhar de perto durante os ciclos eleitorais, incluindo parlamentares e presidentes estaduais do PL Mulher.
Entre as aliadas que compõem esse núcleo de confiança estão Rosana Valle (SP), Roberta Roma (BA), Ana Campagnolo (SC), Cris Tonietto (RJ), Delegada Sheila (MG), Carlise Cwiatkowski (PR) e Gislayne Yamashita (MT). O grupo também inclui nomes que disputam o Senado, como Carol de Toni (SC), Bia Kicis (DF) e Priscila Costa (CE).
A deputada federal Rosana Valle, que preside o PL Mulher em São Paulo, afirmou que a liderança construída por Michelle ultrapassa a função partidária e resulta de uma conexão estabelecida com milhares de mulheres no país.
Como será o novo formato de atuação?
A nova rotina política deve priorizar agendas presenciais em estados como Santa Catarina, Roraima e no Distrito Federal. Em Santa Catarina, a expectativa é de participação em eventos ao lado de Ana Campagnolo (PL), enquanto no Distrito Federal o foco deve ser o apoio à governadora Celina Leão (PP).
Além das viagens, a atuação deve manter o modelo digital intensificado desde que o ex-presidente Jair Bolsonaro passou a cumprir prisão domiciliar. Isso inclui gravações de vídeos para candidatas, reuniões por videoconferência e mobilização constante pelas redes sociais.
Outro eixo estratégico será o eleitorado evangélico. Michelle deve ampliar a presença em encontros religiosos, congressos femininos e eventos em igrejas com as quais mantém relacionamento de longa data.
