Denúncias de assédio eleitoral no trabalho triplicam no Distrito Federal antes do primeiro turno
Número de queixas ao Ministério Público do Trabalho subiu de cinco para 17 no Distrito Federal antes do pleito.
Por Redação Diário Local
O número de denúncias de assédio eleitoral no ambiente de trabalho triplicou no Distrito Federal antes do primeiro turno das eleições de 2026. Até nesta sexta-feira (18), o Ministério Público do Trabalho (MPT) registrou 17 queixas, comparadas às cinco registradas no mesmo período de 2022.
As investigações em curso abrangem empresas dos setores de administração pública, construção, comércio, segurança e serviços gerais. De acordo com a procuradora do trabalho Geny Helena Marques, o público de trabalhadores terceirizados é o mais vulnerável, pois o medo de perder o emprego ou a renda dificulta a liberdade de posicionamento político.
As condutas investigadas incluem desde ameaças diretas de demissão na presença de colegas até a obrigatoriedade do uso de materiais de campanha, como camisetas e adesivos de candidatos. Também foram registradas queixas sobre pressão para divulgação de candidaturas em redes sociais e cobranças de presença em eventos políticos mediante listas ou QR Code.
O que é assédio eleitoral?
O assédio eleitoral é caracterizado por qualquer forma de coação ou constrangimento utilizada pelo empregador para induzir o trabalhador a votar em determinado candidato. Isso pode ocorrer por meio de ofertas de vantagens ou pela ameaça de punições.
Entre as práticas que configuram o assédio estão a ameaça de demissão, a perda de funções gratificadas, mudanças de horário de trabalho e até o fechamento da empresa para pressionar o colaborador. A prática não se restringe ao ambiente físico da empresa, podendo ocorrer via aplicativos de mensagens ou redes sociais.
Aumento esperado no segundo turno
A expectativa é que o volume de queixas aumente durante o segundo turno das eleições devido ao aumento da polarização política. Em 2022, o número de denúncias no Distrito Federal saltou de cinco, no primeiro turno, para 36 ao longo de outubro.
Casos como o da empresa Cinco Estrelas, que já é alvo de ação civil pública, exemplificam a gravidade do tema. Segundo relatos, trabalhadores teriam sido convocados para treinamentos profissionais que serviam, na verdade, para a promoção de candidaturas.
Como denunciar
Os trabalhadores podem apresentar queixas ao Ministério Público do Trabalho (MPT) ou a entidades sindicais. As denúncias podem ser feitas presencialmente ou pela internet, de forma anônima ou sob sigilo.
A procuradora Geny Helena Marques esclarece que, na denúncia sigilosa, a identidade do trabalhador é preservada, mas o órgão pode entrar em contato para obter mais detalhes. Já na denúncia anônima, o MPT destaca a importância de fornecer dados precisos para viabilizar a investigação, como prints de mensagens e registros de redes sociais.
