Auditoria aponta sobrepreço de R$ 20 milhões em contrato do Instituto Rio Metrópole
Levantamento da Secretaria da Casa Civil identificou irregularidades em contrato de R$ 56 milhões com empresa de energia.
Por Redação Diário Local
Uma auditoria realizada pela Secretaria da Casa Civil identificou indícios de sobrepreço de aproximadamente R$ 20 milhões em um contrato de R$ 56 milhões firmado pelo Instituto Rio Metrópole (IRM). O levantamento faz parte de uma força-tarefa para revisar despesas da autarquia após operação do Ministério Público.
O contrato analisado foi celebrado com a empresa Indupta Soluções em Energia para o desenvolvimento de estudos sobre a otimização de gastos municipais. No entanto, a análise técnica apontou inconsistências na execução do serviço e falhas na segregação de funções, já que os mesmos agentes públicos participaram do planejamento, julgamento e fiscalização do processo.
Os auditores identificaram, ainda, indícios de restrição à competitividade na licitação e ausência de critérios objetivos para a contratação da equipe. Em um dos casos, consultores especializados receberam quase R$ 75 mil, sem justificativa técnica para o valor.
Quais são as principais irregularidades apontadas?
Segundo o relatório, houve gastos sem produção intelectual inédita, como uma etapa que custou quase R$ 1,5 milhão para apenas reorganizar informações já existentes. Outro ponto destacado foi o pagamento de quase R$ 6 milhões para a sistematização de dados que já constavam em faturas de energia elétrica de municípios da Baixada Fluminense e do interior do estado.
A auditoria também relatou que a etapa de campo teria vistoriado apenas 0,5% dos imóveis previstos, sob a justificativa de falta de autorização para acesso. O conjunto de evidências aponta fragilidades na confiabilidade das informações produzidas e na fiscalização contratual.
O documento foi encaminhado ao Ministério Público, ao Tribunal de Contas e ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
Contexto das investigações no instituto
As novas suspeitas ocorrem menos de um mês após o Instituto Rio Metrópole ser alvo de uma operação do Ministério Público que investigou um suposto desvio de R$ 86 milhões. Na ocasião, seis pessoas foram presas, incluindo o então presidente do instituto, David Perini Vermelho, o diretor de Planejamento e Projetos, Maurício Silva, e o procurador Marcelo Lopes da Silva.
Após a operação, os envolvidos foram afastados de suas funções. Atualmente, a presidência interina do IRM é exercida pelo secretário Roberto Leão, que determinou a auditoria completa. A gestão informou que os levantamentos preliminares indicam o uso da autarquia para descentralizar recursos públicos por meio de contratações com baixo controle.
