Brasil nega visto a oficiais dos EUA que pretendiam questionar sistema eleitoral
Itamaraty barrou a entrada de dois do Departamento de Estado americano que teriam como objetivo deslegitimar o sistema de votação brasileiro.
Por Redação Diário Local
O Itamaraty negou o visto de dois oficiais do governo dos Estados Unidos que pretendiam vir ao Brasil com o objetivo de questionar a integridade do sistema eleitoral brasileiro. A entrada no país foi barrada para Riley Barnes, secretário-assistente, e Samuel Samson, secretário-assistente adjunto, ambos do Departamento de Estado americano.
Autoridades brasileiras identificaram que a intenção da dupla seria elaborar um relatório para deslegitimar o sistema de votação eletrônica no Brasil. O governo brasileiro tomou conhecimento do pedido de vistos feito pelo Departamento de Estado dos EUA ao Consulado do Brasil em Washington no dia 20 de julho (20).
Um sinal de alerta para as autoridades brasileiras ocorreu no dia seguinte, 21 de julho (21), quando o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se reuniu com embaixadores e citou suspeitas sobre as urnas eletrônicas, tema que já havia sido negado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Embora o pedido formal dos Estados Unidos mencionasse o debate sobre a "liberdade de expressão relacionada às eleições", o governo brasileiro identificou uma tentativa de tumultuar o processo eleitoral por meio da missão diplomática.
O TSE afirmou que sua área internacional foi procurada pela Embaixada dos Estados Unidos para tratar de uma possível visita de integrantes do governo americano, mas não recebeu informações sobre a pauta da agenda. A reunião não foi realizada em razão do recesso do Judiciário.
Perfil dos oficiais envolvidos
Riley Barnes é subsecretário do Departamento de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho dos Estados Unidos, cargo que ocupa desde 2025. Barnes possui formação em Ciência Política e mestrado em Relações Internacionais, além de atuar como Coordenador Especial para Questões Tibetanas e Embaixador Extraordinário para a Liberdade Religiosa Internacional.
Antes de assumir o cargo atual, Barnes trabalhou como redator-chefe de discursos e ocupou funções de planejamento de políticas no Departamento de Estado. Ele também possui experiência no Atlantic Council, um centro de estudos de Relações Internacionais.
Samuel Samson, de 27 anos, ocupa o cargo de subsecretário-adjunto de Estado para o Escritório de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho desde o dia 3 de maio de 2026. Samson possui trajetória ligada a grupos conservadores e já atuou como diretor de parcerias estratégicas no American Moment, grupo político ligado ao vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance.
O diplomata americano também já atuou como assessor do senador republicano Ted Cruz. Em passagens anteriores, Samson promoveu a política do governo dos Estados Unidos em viagens pela África e Europa, produzindo relatórios sobre direitos humanos sob uma perspectiva que recebeu críticas de setores opostos.
