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Lula classifica ações de Netanyahu em Gaza como genocídio durante discurso na ONU

Em discurso na 81ª Assembleia Geral da ONU, presidente criticou o governo de Israel e defendeu a solução de dois Estados.

Por Redação Diário Local

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou, nesta terça-feira (22), a ação do governo de Israel na Faixa de Gaza como "genocídio". A declaração foi feita durante o discurso de abertura da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York.

Ao criticar o governo do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, o presidente afirmou que gerações de palestinos carregarão a dor e o trauma provocados pelo conflito. Segundo Lula, o genocídio é praticado contra mulheres e crianças em Gaza.

O presidente também condenou os ataques realizados pelo Hamas contra civis israelenses. Ele declarou que a população de Israel pagou o preço do radicalismo e da intolerância provocados pelos atos terroristas da organização.

Lula defendeu a solução de dois Estados para o conflito, modelo que considera essencial para que israelenses e palestinos vivam em segurança. No entanto, ele alertou que os assentamentos israelenses na Cisjordânia tornam essa possibilidade cada vez menos viável.

Críticas à ONU e ao Tribunal Penal Internacional

Durante o pronunciamento, o presidente manifestou preocupação com a perseguição ao Tribunal Penal Internacional (TPI) e aos seus integrantes. Para ele, essa postura representa um estímulo para que crimes permaneçam impunes no cenário global.

O petista defendeu a atuação da relatora especial da ONU para os territórios palestinos, Francesca Albanese. Lula afirmou que a profissional não pode ser silenciada por expor o que chamou de verdade.

A credibilidade da ONU também foi alvo de críticas severas. Segundo o presidente, a organização está falhando em sua missão principal de livrar a humanidade do flagelo da guerra e sua confiança nunca esteve tão baixa.

Lula classificou o período atual como o momento mais crítico das Nações Unidas desde que ocupou a tribuna pela primeira vez, em 2003. Ele citou ainda a situação no Estreito de Ormuz, descrevendo a região como uma "trincheira da guerra".

Soberania e relações com os Estados Unidos

Ao abordar a relação do Brasil com os Estados Unidos, o presidente fez referências indiretas ao governo de Donald Trump. Lula afirmou que, embora a proximidade com a maior potência militar do mundo seja inevitável, o país não aceita relações de subordinação.

"O Brasil não cabe no quintal de ninguém", declarou o presidente durante o discurso. As declarações sobre a autonomia brasileira ocorreram antes do pronunciamento de Trump na Assembleia Geral.

No tema de segurança, Lula rejeitou a presença de forças militares estrangeiras em águas brasileiras. Ele afirmou que o país não necessita de porta-aviões vigiando o território nacional para garantir a ordem.

O presidente defendeu que a necessidade do Brasil é a cooperação internacional para estancar o fluxo de armas e de dinheiro que abastecem o crime organizado. Ele reforçou que o foco deve ser o combate ao financiamento do crime.

A fala sobre a soberania nacional e a segurança regional compôs o bloco do discurso voltado à América Latina e ao Caribe. O presidente destacou a importância de manter a autonomia frente às grandes potências mundiais.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.