Campanha de Lula foca em eleitores indecisos e orienta militância a evitar confrontos
Guia digital do PT orienta apoiadores a priorizar a escuta e usar temas como proibição de apostas e custo de vida para conquistar votos.
Por Redação Diário Local
A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva intensifica a busca por eleitores indecisos na semana final da disputa eleitoral. O Partido dos Trabalhadores (PT) orienta sua militância a realizar abordagens "sem briga", focando na escuta ativa e no diálogo em espaços como ruas, feiras e aplicativos de mensagens, conforme detalha um guia digital enviado pelo partido.
O movimento ocorre em um cenário de equilíbrio na disputa pelo segundo turno. Segundo pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira (28), Lula e Flávio Bolsonaro (PL) aparecem empatados com 42% das intenções de voto. O material do PT busca minimizar confrontos e propõe cinco passos para a militância, incluindo ouvir o interlocutor e validar sentimentos antes de apresentar propostas.
Para organizar a comunicação, o guia divide os indecisos em cinco perfis com argumentos específicos. O foco para jovens envolve o fim da escala 6x1, o programa Pé-de-Meia e o teto do MEI. Para mães de família, as pautas são a cesta básica sem imposto e o Bolsa Família com o Gás do Povo. Já para autônomos, a orientação é destacar o aumento real do salário mínimo e o programa Desenrola Brasil.
O documento também segmenta mensagens para trabalhadores CLT, focando na isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil, e para mulheres de carreira, com ênfase na Lei da Igualdade Salarial e no combate ao feminicídio. Em cada perfil, o material faz comparações entre a gestão de Lula e o governo de Jair Bolsonaro, além de confrontar as propostas do adversário Flávio Bolsonaro.
Bandeiras e temas sensíveis
A proibição das apostas esportivas (bets) é apontada como uma das principais bandeiras para conversas rápidas. O guia descreve as apostas como uma "epidemia" que retira dinheiro das famílias, defendendo que a proibição mantém os recursos no comércio local. Outros temas centrais para a militância são a defesa da soberania nacional e o fim da escala 6x1.
No campo religioso, o PT orienta seus apoiadores a rebaterem boatos sobre suposta perseguição à fé. O material cita a Lei da Liberdade Religiosa e normas que tornam inafiançável o ataque a templos como evidências de proteção à autonomia das igrejas. A orientação é tratar o assunto por meio de informações sobre políticas públicas, evitando o confronto direto.
O tema religioso ganhou relevância na campanha após controvérsias envolvendo a imagem de Nossa Senhora Aparecida. O guia sugere que o debate seja conduzido sem ataques, focando em conquistas do primeiro e segundo mandatos de Lula. A estratégia busca neutralizar discussões sobre propostas que não foram apresentadas pelo adversário, mas que permanecem em circulação.
De acordo com a pesquisa Quaest, o cenário apresenta alta rejeição para ambos os candidatos: 56% dos entrevistados não votariam em Flávio Bolsonaro e 54% não votariam em Lula. A campanha petista tem buscado, inclusive, aumentar o engajamento de eleitores com mais de 70 anos, grupo em que o presidente demonstra vantagem nas pesquisas.
