Carlos Bolsonaro afirma que militarização foi um dos maiores erros do governo do pai
O pré-candidato ao Senado por Santa Catarina afirmou que a chegada de militares ao Executivo foi um acidente na trajetória de Jair Bolsonaro.
Por Davy Albuquerque
Carlos Bolsonaro, pré-candidato ao Senado por Santa Catarina, classificou a nomeação de militares para cargos no governo como um dos maiores erros do ex-presidente Jair Bolsonaro. A declaração foi feita durante agenda em Timbó (SC), no dia 26 de junho, e ganhou repercussão após a divulgação de um vídeo nas redes sociais neste sábado (11).
O pré-candidato afirmou que a presença de membros das Forças Armadas no Poder Executivo foi um "acidente" na trajetória política de seu pai. Segundo Carlos, o fenômeno ocorreu devido à falta de estrutura de apoio que acompanhava o ex-presidente na época.
"Não tinha ninguém que ele conhecia que não fosse das Forças Armadas", declarou o pré-candidato. Ele justificou que a ocupação desses postos foi uma consequência da dinâmica política da gestão anterior.
Carlos afirmou ainda que o irmão, o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ), adotará um modelo diferente em eventual gestão. De acordo com ele, o senador buscará o apoio de pessoas técnicas em vez de militares.
O pré-candidato ressaltou que Flávio deve compor sua equipe com profissionais que entendam o movimento político, mas que não possuam o perfil "positivista" atribuído aos militares que ocuparam cargos no governo de Jair Bolsonaro.
Presença de militares em cargos civis
Dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), publicados em 2022, mostram que a presença de militares em cargos civis da União quase triplicou entre 2013 e 2021. O número de postos saltou de 370 para 1.085, uma alta de 193% no período.
O levantamento apontou que a distribuição de oficiais foi significativa em pastas estratégicas, como Saúde, Economia e Meio Ambiente. A maior concentração ocorreu nos cargos de Direção e Assessoramento Superior (DAS) e na Função Comissionada do Poder Executivo (FCPE).
No Ministério da Economia, a presença de militares passou de um único ocupante em 2013 para 84 em 2021, um aumento superior a 8.000%. Na Saúde, pasta que foi comandada pelo general Eduardo Pazuello durante a pandemia, o número de militares subiu de 7 para 40.
O setor de Meio Ambiente também registrou crescimento na ocupação por comissionados, passando de um para 21 profissionais no período analisado pelo estudo do Ipea.
