Celina Leão cobra cumprimento de acordo para empréstimo do BRB em reunião no STF
Governadora do Distrito Federal cobrou agilidade de órgãos federais em audiência mediada pelo ministro Luiz Fux para destravar crédito de R$ 6,6 bilhões
Por Redação Diário Local
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão, cobrou o cumprimento de um acordo judicial durante reunião de conciliação no Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira (13). O encontro, mediado pelo ministro Luiz Fux, tem como objetivo destravar um empréstimo de R$ 6,6 bilhões para socorrer o patrimônio do Banco de Brasília (BRB).
Durante a audiência, a governadora afirmou que o governo distrital não busca uma nova decisão, mas o cumprimento do que já foi estabelecido judicialmente. Ela acusou órgãos federais de apresentarem inércia no tratamento do tema e mencionou exigências que, segundo ela, não teriam relação com a questão do banco.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, rebateu as declarações e afirmou que a União não é a responsável pela crise. Para o ministro, o problema foi gerado pela relação entre o governo do Distrito Federal e o BRB, e o governo federal tem colaborado com soluções sem assumir responsabilidades que cabem aos gestores do banco.
A negociação para o crédito de R$ 6,6 bilhões enfrenta resistência de um consórcio de bancos que atuaria como avalista da operação. As instituições demonstram receio sobre a capacidade de o montante sanear o patrimônio do BRB, especialmente porque o banco não divulga seus balanços periódicos há um ano, o que já gerou multas do Banco Central e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Outro ponto de tensão é o uso de repasses como o Fundo de Participação dos Estados (FPE) e o Fundo de Participação dos Municípios (FPM) como garantias em caso de calote. Como o Distrito Federal não possui nota de bom pagador, o descumprimento do acordo poderia resultar no uso dessas verbas para o pagamento dos credores, o que gera preocupação sobre o custeio de serviços públicos essenciais.
Por que o empréstimo do BRB está travado?
A trava ocorre pelo receio do mercado de que o valor solicitado não seja suficiente para resolver a situação financeira da instituição. Além disso, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) informou ao STF que ainda aguarda o recebimento de informações necessárias, como os balanços de 2025 e 2026 do banco, para analisar a viabilidade da operação.
O que gerou a crise financeira do banco?
A instabilidade do BRB está ligada a operações realizadas com o Banco Master entre 2024 e 2025, que somaram R$ 30 bilhões. Em novembro de 2025, a Polícia Federal deflagrou a operação Compliance Zero para investigar supostas fraudes financeiras bilionárias relacionadas a essas transações.
Em abril deste ano, uma nova fase das investigações resultou na prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. Segundo a Polícia Federal, ele teria permitido negócios sem o devido lastro e sem seguir práticas adequadas de governança. O BRB estima que ao menos R$ 8,8 bilhões dos créditos comprados do Banco Master sejam títulos inexistentes, fraudados ou de difícil recuperação.
