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Custo de vida e preço dos alimentos desafiam campanha de reeleição de Lula

Percepção de perda do poder de compra e dívidas das famílias dificultam avanço do presidente, segundo especialistas e pesquisas.

Por Redação Diário Local

O custo de vida e o impacto prolongado dos preços dos alimentos nos orçamentos domésticos têm representado um desafio para a tentativa de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Embora o governo destaque indicadores como o desemprego em níveis historicamente baixos e a queda da desigualdade, a percepção de perda do poder de compra entre os eleitores dificulta a campanha.

A frustração de parte da população reflete um descompasso entre os dados macroeconômicos favoráveis e a realidade financeira das famílias, fenômeno que especialistas comparam ao conceito de "vibecession", onde o sentimento de recessão não condiz com os números do mercado, mas domina a percepção do consumidor.

O que dizem as pesquisas sobre a economia?

Levantamentos da Quaest indicam que o cenário econômico é um ponto sensível na disputa. Segundo a pesquisa divulgada em setembro, quase 50% dos brasileiros afirmam que a economia piorou no último ano, ao passo que apenas 19% acreditam que houve melhora.

De acordo com o fundador e CEO da Quaest, Felipe Nunes, o eleitor avalia a economia pela capacidade prática de pagar contas, consumir e realizar planos, o que explica por que resultados de mercado nem sempre são traduzidos em apoio político imediato.

O analista político Thomas Traumann reforça que, apesar de os grandes números apontarem um governo com bons resultados, o eleitor comum muitas vezes não compartilha dessa visão devido ao cotidiano financeiro.

Principais fatores de pressão nas famílias

Vários elementos contribuem para o aperto no orçamento das famílias brasileiras. Além da inflação acumulada dos alimentos nos últimos anos, o comprometimento da renda com o pagamento de dívidas atingiu o recorde de 26,6% em junho, segundo dados do Banco Central.

O economista Marcelo Neri, da FGV, aponta que o progresso em indicadores de pobreza e mercado de trabalho enfrenta o efeito contrário da inflação de alimentos, das taxas de juros — que se encontram em 13,75% — e do impacto financeiro gerado pelas apostas online (bets).

A facilidade de crédito por meio de fintechs e o aumento do volume de dinheiro destinado às apostas online também são citados como fatores que absorvem a renda e dificultam a recuperação do poder de compra.

As propostas de cada candidato

Para enfrentar o cenário, os candidatos apresentam estratégias distintas. O senador Flávio Bolsonaro defende a redução de custos por meio de cortes de impostos, melhorias na infraestrutura de transporte, maior capacidade de armazenamento de grãos e aumento da produção de fertilizantes no país.

Por outro lado, o presidente Lula tem focado no crescimento da produção agrícola, nos estoques públicos de alimentos e na expansão do crédito rural. Recentemente, o governo também anunciou um reajuste de 15% no Bolsa Família e apresentou legislação para proibir cassinos online e um programa para limpeza de dívidas.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.