Defesa de Daniel Vorcaro classifica indiciamento da Polícia Federal como "frágil e absurdo"
Advogados do fundador do Banco Master afirmam que a Polícia Federal antecipou conclusões de um inquérito que ainda está em andamento
Por Redação Diário Local
A defesa de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, classificou como "frágil e absurdo" o indiciamento do empresário no inquérito que investiga fraudes na compra da instituição pelo Banco de Brasília (BRB). Em nota, os advogados afirmaram, nesta quarta-feira (28), que a medida é "açodada e afoita" e antecipa conclusões que a própria investigação ainda não alcançou.
Segundo os representantes de Vorcaro, o indiciamento não possui sustentação e o inquérito sobre o caso do Master e do BRB deveria ser arquivado. O grupo jurídico também reforçou o pedido para a revogação da prisão preventiva do empresário, tratando a medida como "urgente e imperativa".
Os advogados argumentam que as conclusões apontadas pela Polícia Federal (PF) se baseiam em uma leitura seletiva de mensagens e em hipóteses formuladas "em tese", sem que haja uma demonstração técnica que as comprove. Para a defesa, o processo apresenta inconsistências estruturais.
Um dos pontos destacados pela defesa é o fato de a autoridade policial ter pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF) um prazo adicional de 60 dias para prosseguir com as apurações. Para o grupo jurídico, isso demonstra que a investigação ainda não está concluída.
A defesa ressalta que, no mesmo documento em que ocorre o indiciamento, a polícia admite que exames periciais seguem em elaboração. Além disso, parte do material apreendido durante as investigações ainda não foi analisada pelos peritos.
Os advogados de Vorcaro pontuaram também que pessoas consideradas relevantes para o esclarecimento dos fatos sequer foram ouvidas pela Polícia Federal. Com isso, alegam que o indiciamento ocorreu de forma prematura, antes da conclusão das etapas necessárias.
O indiciamento de Vorcaro ocorre no mesmo contexto em que outras 14 pessoas também foram indiciadas. O relatório policial aponta a existência de um suposto esquema de operações financeiras envolvendo carteiras de crédito de origem questionada.
De acordo com a Polícia Federal, o esquema envolveria a produção posterior de documentos e a suposta ocultação da titularidade e da movimentação de recursos financeiros. As suspeitas recaem sobre a estrutura de gestão da instituição.
A investigação aponta que a participação de integrantes das estruturas executivas, financeiras, jurídicas e operacionais dos bancos, além de empresas relacionadas aos negócios, seria parte do desenho investigado pela PF.
Vorcaro foi indiciado por suspeitas de gestão fraudulenta de instituição financeira, crimes relacionados a organização criminosa e lavagem de dinheiro. As imputações constam no relatório policial e passam por análise das autoridades competentes.
É importante destacar que o indiciamento é uma etapa de qualificação de suspeita e não representa, por si só, uma condenação criminal. O indiciado é considerado suspeito dentro de um inquérito, e não necessariamente um réu ou condenado.
O indiciamento é um procedimento anterior à denúncia. A denúncia ocorre quando o Ministério Público formaliza a acusação por escrito ao Poder Judiciário, imputando crimes de forma oficial a uma pessoa ou organização.
Até o momento, as acusações contra o fundador do Banco Master dependem de avaliações subsequentes dos órgãos de controle e do Ministério Público para que o caso siga para a fase de processo judicial.
A investigação segue em curso, com o pedido de prorrogação de prazo feito à Corte para que os novos elementos e as perícias pendentes sejam integrados ao relatório final da Polícia Federal.
