Delator do caso Master revela movimentação de dinheiro para filme sobre Bolsonaro e elo com o PCC
Antônio Carlos Freixo Júnio, o 'Mineiro', detalhou em delação esquema de pagamentos para filme e lavagem de dinheiro para facção criminosa
Por Redação Diário Local
Antônio Carlos Freixo Júnio, conhecido como 'Mineiro', detalhou em delação premiada homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) esquemas que envolvem a movimentação de grandes quantias de dinheiro em espécie, ligações com a produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro e serviços de lavagem de dinheiro para o crime organizado.
O ex-operador financeiro afirmou, em acordo com a Procuradoria-Geral da República (PGR), que entre os anos de 2020 e 2025 movimentou aproximadamente R$ 1,3 bilhão em dinheiro vivo. Segundo o relato, o esquema consistia na organização de saques e na entrega física de malas contendo valores entre R$ 1 milhão e R$ 1,5 milhão para emissários de Daniel Vorcaro.
As investigações também conectam o grupo à produção do filme Dark Horse, que conta a história de Jair Bolsonaro. De acordo com o processo, a fintech Entrepay teria realizado repasses milionários para a produtora responsável pela obra, utilizando recursos que teriam saído de Vorcaro a pedido de Flávio Bolsonaro.
Como funciona o esquema de lavagem de dinheiro?
A terceira fase da Operação Carbono Oculto, deflagrada na última quinta-feira (24), revelou que a Entre Investimentos é apontada por investigações do Ministério Público de São Paulo (MPSP) e da Receita Federal como prestadora de serviços de lavagem de capitais para líderes da facção criminosa PCC.
O foco do crime organizado estaria no setor de combustíveis, utilizando estruturas para ocultar a origem do dinheiro. Documentos apontam que, em dezembro de 2024, a Entre depositou R$ 20 milhões na conta da Usina Itajobi, que funcionaria como uma conta de passagem para operações financeiras complexas.
Essa estrutura, que inclui o Fundo Radford e a distribuidora Terrana, é investigada como parte de um mecanismo de operações circulares usado pelo grupo criminoso para apagar o rastro de recursos ilícitos e permitir o uso do capital sem o monitoramento das autoridades.
Histórico de sanções e intervenções
A trajetória de Antônio Carlos Freixo Júnio passou por intervenções regulatórias recentes. Em março deste ano, o Banco Central (BC) decidiu pela liquidação extrajudicial do Grupo Entre, empresa fundada por ele, devido à deterioração financeira e suspeitas de fraudes.
Antes disso, em janeiro, as empresas de 'Mineiro' já haviam sido alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero. O Grupo Entre era apontado por investigadores como um braço utilizado para viabilizar pagamentos e repasses de recursos de Vorcaro para diversos interlocutores.
