Redução de votos em candidatos menores pode definir eleição no primeiro turno, avalia cientista político
Migração de eleitores de candidaturas alternativas para os polos Lula e Flávio Bolsonaro aumenta chance de vitória imediata
Por Redação Diário Local
A possibilidade de a eleição presidencial ser definida já neste domingo (4) depende da redução do peso das candidaturas alternativas na disputa. Segundo avaliação do cientista político Leopoldo Vieira, CEO da IdealPolitik, a combinação de polarização, voto útil e a queda de candidatos fora dos dois polos principais aumenta a chance de decisão no primeiro turno.
De acordo com o especialista, os candidatos que não integram os polos de Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro perdiam cerca de 17% dos votos na semana passada, número que recuou para um intervalo entre 13% e 14% nos dias mais recentes. A projeção é de que o voto nos candidatos menores fique em torno de 8% até o dia da votação.
Essa dinâmica ocorre devido à migração de eleitores que buscam decidir o voto na reta final. O movimento de transferência de votos ocorre tanto da direita alternativa para Flávio Bolsonaro quanto de candidaturas menores da esquerda em direção a Lula.
Como funciona a transferência de votos?
A migração de votos não beneficia apenas um dos lados da disputa. Embora Flávio Bolsonaro seja o principal destino de parte do eleitorado de direita, a análise aponta que Lula também pode se beneficiar da antecipação desses votos.
Em cenários projetados para um eventual segundo turno, a previsão é de que cerca de 65% dos eleitores de Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Augusto Cury migrem para Flávio Bolsonaro. Por outro lado, aproximadamente 35% desses mesmos eleitores tenderiam a escolher Lula.
Essa divisão explica por que a soma total dos votos das candidaturas de direita não pode ser atribuída integralmente ao candidato do PL, já que uma parcela migra para o adversário.
O papel do Nordeste na disputa
Outro fator que pode acelerar a vitória no primeiro turno é o desempenho de Lula na região Nordeste. Um crescimento entre quatro e cinco pontos percentuais naquela região seria um elemento decisivo para aproximar o candidato da vitória direta, sem necessidade de segundo turno.
Atualmente, as pesquisas indicam que Lula possui 39% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 34%. Os dados estão dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
Para o acompanhamento da reta final, o monitoramento da soma das candidaturas alternativas e do percentual de votos brancos e nulos é considerado o principal indicador para prever o desfecho do domingo.
