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Política

Eleições de 2026 sofrem com apatia e falta de representatividade, diz historiador

Análise aponta que tensões no STF e crise de confiança política afastam eleitores do debate eleitoral para o pleito.

Por Redação Diário Local

O processo eleitoral de 2026 enfrenta um cenário de apatia e falta de representatividade entre grande parte do eleitorado brasileiro, segundo análise do historiador Leonardo Trevisan. Para o professor de Relações Internacionais da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), o desinteresse pelos números das urnas é reflexo de uma década de frustração política acompanhada pelo domínio de debates sobre o Supremo Tribunal Federal (STF) no espaço público.

De acordo com Trevisan, as tensões institucionais envolvendo ministros da Corte e as recentes revelações de mensagens entre membros do Judiciário colocaram o tema das eleições em segundo plano. O historiador aponta que as discussões sobre o STF ocuparam o espaço que deveria ser do debate político, gerando um distanciamento do cidadão comum em relação ao pleito.

Esse clima de crise é corroborado por dados de desconfiança. Segundo pesquisa da Quaest, o índice de desconfiança dos brasileiros na Corte cresceu dez pontos percentuais. Além disso, um levantamento de Renato Dolci identificou uma base de 8,9 milhões de publicações críticas aos magistrados em redes sociais, evidenciando a força do debate sobre o Judiciário no ambiente digital.

Descrença e representatividade

A sensação de que o sistema político não representa a população é um dos pilares dessa apatia. O historiador utiliza dados do Instituto Locomotiva, de Renato Meirelles, para ilustrar o fenômeno: cerca de 108 milhões de brasileiros, que compõem a chamada Classe C, passaram por uma fase de otimismo no início do século XXI, mas hoje enfrentam um sentimento de descrença.

O ciclo de otimismo desse grupo teria sido impulsionado por marcos como o Plano Real, a expansão do crédito e programas de transferência de renda, como o Bolsa Família. No entanto, a crise iniciada em 2014 interrompeu essa percepção de ascensão, dando lugar a uma onda de frustração que dificulta a identificação desses eleitores com as alternativas políticas atuais.

O papel da digitalização

A transformação no comportamento do eleitorado também é acelerada pela digitalização. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que 95% dos domicílios brasileiros possuem acesso à internet, o que alterou profundamente os hábitos de consumo de informação e entretenimento.

O tempo gasto em redes sociais e serviços de streaming reflete um salto tecnológico que, segundo Trevisan, o país ainda busca compreender como lidar. O historiador associa o atual cenário de tensões globais e ameaças de extremismo a um contexto que guarda semelhanças com o período dos anos 30, marcado por instabilidades institucionais e mudanças de comportamento social.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.