Disputa entre Flávio Bolsonaro e Lula é marcada por 'leilão de promessas', diz especialista
Segundo cientista político Leandro Gabiati, candidatos buscam cobrir ofertas um do outro sem considerar a viabilidade das propostas.
Por Redação Diário Local
O segundo turno das eleições de 2026 é marcado por um "leilão de promessas" entre os candidatos Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), conforme análise do cientista político Leandro Gabiati. O diretor da Dominium afirma que a disputa acirrada tem levado ambos os lados a tentarem superar as ofertas um do outro, sem levar em conta a viabilidade real das propostas apresentadas.
Segundo o especialista, o fenômeno funciona como uma espécie de concorrência de ofertas. Quando um candidato apresenta uma proposta, o adversário busca cobrir o valor ou o alcance da medida para evitar o desgaste de ficar para trás no debate público.
Gabiati aponta que esse comportamento possui uma lógica própria dentro do cenário político. Para o cientista, um candidato que admita abertamente a necessidade de realizar cortes de gastos estaria, na prática, reduzindo drasticamente suas chances de vitória nas urnas.
O papel do eleitorado também é destacado como um fator que incentiva esse movimento. De acordo com o especialista, grande parte do público busca soluções simples e imediatas para problemas complexos, sem questionar o financiamento ou os custos reais das políticas públicas anunciadas.
Esse cenário acaba criando um ambiente favorável para a disseminação de promessas sem fundamento técnico. Segundo a análise, a falta de interesse dos eleitores pelos detalhes de execução prática permite que os candidatos foquem apenas na atratividade do discurso.
A diferença entre campanha e gestão
A avaliação de Gabiati também diferencia o comportamento adotado durante a corrida eleitoral da responsabilidade de governar. Ele afirma que, na reta final da campanha, os candidatos tendem a prometer de forma irrestrita, com o objetivo exclusivo de conquistar o voto.
O especialista ressalta que, caso eleito, qualquer um dos candidatos encontrará uma realidade de governo com restrições muito distintas das do período de disputa. Durante a gestão, o governante precisa lidar com limitações orçamentárias e técnicas que não aparecem nos palanques.
Para Leandro Gabiati, existe uma separação clara entre os momentos de disputa e de administração. Ele conclui que a prioridade atual dos candidatos é a eleição e que a resolução efetiva dos problemas deverá ocorrer somente após os resultados das urnas.
