Governo Federal investe R$ 300 milhões para equipar 138 presídios com drones e radares
Estratégia envolve o uso de drones com sensores térmicos, radares para detectar túneis e sistemas para interceptar comunicações criminosas.
Por Redação Diário Local
O governo federal está implementando uma ofensiva tecnológica para modernizar a segurança de 138 unidades prisionais em todo o país, com um investimento de quase R$ 300 milhões. O objetivo da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen) é utilizar equipamentos de ponta para combater o crime organizado e impedir que os presídios sejam usados como centros de comando de delitos externos.
As unidades prioritárias para o recebimento dos equipamentos são aquelas que concentram cerca de 80% das principais lideranças de facções e milícias. A estratégia busca acompanhar as transformações tecnológicas utilizadas pelo crime organizado para controlar as unidades.
Como funcionam as novas tecnologias?
Uma das principais ferramentas são os drones equipados com sensores térmicos. Eles são capazes de realizar o monitoramento de áreas localizadas a até dois quilômetros do perímetro dos presídios e identificar movimentações suspeitas mesmo durante a noite, além de realizar a leitura de placas de veículos.
As imagens capturadas são georreferenciadas, o que permite aos policiais penais comparar o cenário de diferentes dias. Essa função ajuda a identificar mudanças repentinas no terreno, como a possível escavação de túneis ou a presença de pessoas em locais incomuns para a entrada de drogas e celulares.
Para enfrentar o uso de drones por criminosos, o governo adquiriu seis sistemas antidrones. Cinco deles foram destinados a penitenciárias federais e um sistema móvel será usado para proteger escoltas de presos de alto risco. Esses dispositivos podem forçar a descida de aeronaves ou fazê-las retornar ao ponto de origem, o que permite localizar e prender os operadores.
Detecção de túneis e comunicações
Outra inovação é o uso de georradares, aparelhos que emitem ondas para detectar alterações no subsolo e identificar escavações clandestinas. De acordo com a Senappen, essa tecnologia já foi utilizada no Ceará para descobrir um túnel que estava em operação há dez anos em uma unidade prisional.
O arsenal tecnológico também inclui equipamentos para localizar celulares desligados, carregadores e redes de Wi-Fi instaladas clandestinamente dentro das unidades. Além disso, foram adquiridas pequenas câmeras para inspeção de espaços de difícil acesso, como ralos.
A previsão é que a maior parte da distribuição desses materiais seja concluída até o fim deste ano. O Ceará também funcionará como um laboratório de inteligência penal, servindo de local para testes de novas tecnologias antes de serem expandidas para outros estados.
