Frente de evangélicos declara apoio a Lula e critica Flávio Bolsonaro por 'retrocesso'
Movimento afirma que possível vitória de Flávio Bolsonaro representaria retrocesso e acusa o candidato de manipular religião.
Por Redação Diário Local
A Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito (FEDD) declarou apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o segundo turno das eleições presidenciais. O grupo afirma que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL) pode representar um retrocesso social e civilizatório para o Brasil.
Os coordenadores da frente acusam o candidato do PL de manipular a religião para obter ganhos políticos. Segundo o pastor Ariovaldo Ramos, um dos coordenadores do movimento, a decisão de apoiar a manutenção do atual governo ocorre para contrapor o que descreveu como um uso escancarado da fé em prol da candidatura de Flávio Bolsonaro.
A posição da FEDD foi motivada por declarações de Flávio Bolsonaro feitas em Goiânia, no início desta semana (6). Durante um ato político, o candidato mencionou o uso da influência da direita no Congresso para promover mudanças na Constituição Federal, sob o argumento de "redemocratizar" o país.
Após a repercussão dos comentários, o candidato detalhou que suas propostas de revisão constitucional incluem temas como a maioridade penal e o fim da reeleição. A intenção de alterar a Carta Magna gerou temor entre os membros da frente, que defendem a separação entre religião e política.
Criada em 2016, durante o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, a FEDD busca se distanciar da Frente Parlamentar Evangélica (FPE) do Congresso Nacional. O movimento foca em pautas como justiça social, direitos humanos, proteção às minorias e o fortalecimento de políticas públicas.
O cenário para o segundo turno, que ocorre no próximo domingo (25), mostra uma disputa acirrada. No primeiro turno, Flávio Bolsonaro obteve 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula alcançou 45,16%, consolidando uma diferença de 2.224.965 votos entre os candidatos.
A estratégia de buscar o eleitorado evangélico também é prioridade da campanha petista. O Partido dos Trabalhadores (PT) monitora os eleitores que não votaram em nenhum dos dois candidatos no primeiro turno, visando conquistar parte desse grupo na reta final da disputa.
Dados de pesquisas recentes indicam uma redução da diferença no segmento religioso. Embora Flávio Bolsonaro mantenha vantagem, o levantamento da Quaest, de 28 de setembro, apontou que as intenções de voto em Lula entre evangélicos subiram de 23% para 27%.
