Gilmar Mendes questiona origem de vazamentos durante julgamento de caso envolvendo Moraes e Banco Master
Decano criticou a condução de André Mendonça sobre investigação de Alexandre de Moraes e questionou quem seria o responsável pelos vazamentos.
Por Redação Diário Local
O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), questionou, nesta terça-feira (15), a origem de vazamentos de informações sigilosas que envolvem investigações na Corte. Durante julgamento, o magistrado perguntou quem seria o "vazador geral da República", criticando a condução do processo por outro ministro.
O debate ocorreu durante a análise da Petição 16.662, que discute a abertura de uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes. O caso apura uma possível relação entre Moraes e Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, investigado como líder de uma fraude no Sistema Financeiro Nacional.
Gilmar Mendes criticou o ministro André Mendonça, relator do caso, ao afirmar que houve "inequívoco viés político-eleitoral" na condução dos trabalhos. O decano questionou o momento em que foi solicitado à Polícia Federal (PF) o relatório sobre Moraes e acusou Mendonça de retirar o sigilo de um documento de forma monocrática antes da análise pelo plenário.
O embate resultou em trocas de acusações entre os magistrados. Mendonça reagiu às críticas chamando Gilmar Mendes de "leviano" e pediu que o colega respeitasse o tribunal, solicitando que ele não apontasse o dedo para o relator. Mendonça rebateu o questionamento sobre vazamentos ao afirmar que as divulgações possuem determinação de instauração de inquéritos conduzidos pela PF.
Entenda o caso Vorcaro-Moraes
O plenário do STF analisa se a Polícia Federal pode prosseguir com as apurações sobre a relação entre Moraes e Vorcaro. O caso ganhou repercussão em 1º de setembro, quando o relator André Mendonça tornou público um relatório da PF que aponta uma interlocução entre os dois.
Segundo o documento, Vorcaro teria solicitado interferência de Moraes nas investigações antes de sua prisão, ocorrida em 17 de novembro de 2025. O relatório também indicou a existência de contratos milionários entre o Banco Master e o escritório de advocacia da esposa do ministro Alexandre de Moraes.
A Procuradoria Geral da República (PGR) manifestou-se no sentido de que o procedimento da PF seria inválido. Segundo a PGR, Mendonça teria determinado diligências contra pessoas específicas sem pedido do Ministério Público ou iniciativa da própria PF, além de ignorar que investigações contra ministros do STF dependem de autorização do plenário.
Situação de André Mendonça
Devido à sua atuação no inquérito, o ministro André Mendonça também é alvo de um pedido de investigação por parte de Alexandre de Moraes. O pedido envolve suspeitas de abuso de autoridade e improbidade administrativa.
O procedimento contra Mendonça foi avocado pelo presidente do STF, ministro Edson Fachin. O caso baseia-se em um relatório de inteligência da PF que sugere que o ministro teria direcionado as investigações do Banco Master contra Moraes. O presidente do Tribunal marcou um julgamento separado sobre o tema para o dia 23 de setembro (terça-feira).
