Igreja Presbiteriana do Brasil recomenda que fiéis não participem do movimento Legendários
Decisão da Igreja Presbiteriana do Brasil foi tomada pelo Supremo Concílio; orientação não estabelece punições para membros.
Por Redação Diário Local
A Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB) recomendou aos seus fiéis que não participem nem divulguem as atividades do movimento Legendários. A decisão foi tomada pelo Supremo Concílio durante reunião nacional realizada em Manaus (AM).
O Legendários é um movimento masculino que promove encontros focados em temas como liderança, fé e recuperação da masculinidade. Segundo a direção da IPB, os elementos utilizados nessas experiências não são compatíveis com a tradição reformada da denominação.
A orientação emitida pelo Supremo Concílio não estabelece punições diretas aos fiéis. A decisão deixa a cargo das congregações locais a responsabilidade de avaliar cada situação de forma individual.
Em resposta à medida, o movimento Legendários afirmou que recebeu a resolução com respeito. A organização ressaltou que a decisão da IPB tem caráter apenas recomendatório.
Debate sobre filiação política
A reunião nacional em Manaus também tratou da filiação política de ministros e membros. Delegados apresentaram propostas para impedir que integrantes da denominação se filiem a partidos classificados como comunistas, marxistas ou ateus.
Uma das sugestões em debate prevê a criação de uma lista oficial de legendas consideradas incompatíveis com a fé presbiteriana. O tema gera divisões internas na igreja, pois parte dos representantes considera inadequado que a instituição determine a atuação política de seus membros.
Para buscar equilíbrio, setores da denominação defendem que ideologias como fascismo, nazismo e nacionalismo cristão também sejam incluídas entre as rejeitadas. O objetivo seria evitar que a resolução final tenha um direcionamento apenas contra a esquerda.
Saúde mental e o papel feminino
O encontro também discutiu a abordagem sobre saúde mental. O documento aprovado reconhece a importância de tratamentos médicos, psiquiátricos e psicológicos, mas sustenta que conceitos como ansiedade, depressão e trauma não devem substituir a orientação espiritual.
Segundo o texto, tais condições não devem ser interpretadas sem o devido referencial bíblico. A proposta busca integrar o cuidado profissional com a base doutrinária da igreja.
A atuação das mulheres na denominação também seguiu em pauta. Embora a ordenação feminina não esteja em discussão, existem divergências sobre as funções que elas podem exercer.
Desde 2022, a Igreja Presbiteriana do Brasil restringe a participação feminina em atividades específicas, como a pregação em cultos solenes e a distribuição da Santa Ceia.
