Ex-candidato José Roberto Arruda gastou R$ 1,3 milhão com militância em campanha ao GDF
Levantamento baseado em prestação de contas ao TSE mostra que mobilização de rua representou 56,81% dos gastos totais da campanha.
Por Redação Diário Local
O ex-candidato ao Governo do Distrito Federal (GDF), José Roberto Arruda (PSD), investiu R$ 1.321.537,34 em atividades de militância e mobilização de rua durante sua campanha. O valor representa 56,81% do total de R$ 2.326.132,44 gastos pelo ex-governador no período de pouco mais de um mês.
De acordo com a prestação de contas apresentada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a média de gastos diários de Arruda foi de R$ 58.153,31 ao longo dos 40 dias de campanha. Além dos recursos destinados à mobilização, o ex-candidato aplicou R$ 203.998 na criação e inclusão de páginas na internet e R$ 170 mil no impulsionamento de conteúdos digitais.
Arruda foi o segundo candidato a receber o maior volume de verbas partidárias entre os que registraram candidatura ao GDF. O PSD destinou R$ 3 milhões para sua campanha, ficando atrás apenas da atual governadora Celina Leão (PP), que recebeu R$ 6,9 milhões.
Por que a candidatura de Arruda foi barrada?
A candidatura de José Roberto Arruda foi indeferida pelo TSE na última quinta-feira (24). A decisão ocorreu após a análise de um recurso contra a decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF), que já havia impugnado o registro.
O principal fundamento para o bloqueio foi a existência de condenações de Arruda por atos de improbidade administrativa. Segundo o julgamento, o ex-governador possui sete condenações em segunda instância relacionadas à Operação Caixa de Pandora.
Devido ao bloqueio, o rosto de Arruda ainda aparecerá na urna eletrônica, mas os votos destinados a ele serão considerados nulos e excluídos da apuração oficial, uma vez que as listas de candidaturas já foram lacradas nos equipamentos.
O que acontece com o dinheiro da campanha?
Com o impedimento da candidatura, a questão sobre os recursos utilizados permanece sob as regras da Lei das Eleições. De acordo com especialistas em direito eleitoral, o que foi gasto corretamente enquanto o registro estava sub judice (em discussão judicial) não precisa ser devolvido.
A legislação permite que o candidato pratique atos de campanha, inclusive usando o horário eleitoral, enquanto o registro é discutido. A decisão judicial afeta a validade dos votos, mas não a licitude dos gastos realizados até o desfecho do processo.
No entanto, existem situações em que valores devem retornar aos cofres públicos, como sobras do Fundo Eleitoral, gastos mal comprovados ou novos repasses. O TSE determinou a interrupção imediata de novos repasses dos fundos eleitoral e partidário para Arruda após a decisão.
