Crescimento de Augusto Cury gera preocupação para Lula em eventual segundo turno
Crescimento do candidato da terceira via pode favorecer Flávio Bolsonaro em simulações de segundo turno, aponta consultor.
Por Redação Diário Local
O crescimento do candidato Augusto Cury (Avante) nas pesquisas de intenção de voto transformou o cenário para um eventual segundo turno entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). O avanço da terceira via colocou Cury no centro da disputa, sendo visto como uma "reserva de votos" cobiçada pelos dois principais concorrentes.
Cury afirmou que não apoiaria Lula e condicionou um possível respaldo a Flávio Bolsonaro ao compromisso com seu plano de governo. O candidato também exigiu a comprovação de que o senador não teve envolvimento no suposto desvio de recursos para a produção do filme Dark Horse.
Segundo o consultor Pedro Müller, da Seta Public Affairs, a tendência é que essa reserva de votos favoreça o candidato da direita, já que os nomes da terceira via estão mais próximos desse campo político. Müller ressalta, porém, que o apoio de Cury não garante uma transferência automática e homogênea de eleitores.
Como estão as simulações de segundo turno?
As pesquisas indicam que a vantagem de Lula no primeiro turno pode desaparecer em uma disputa direta. Na pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, divulgada na quinta-feira (10), Lula aparece com 43% no primeiro turno, contra 37,4% de Flávio Bolsonaro. Contudo, na simulação de segundo turno, o senador registra 46,4%, ante 46,2% do petista.
No levantamento da BTG/Nexus, o equilíbrio também se mantém. No primeiro turno, Lula marca 39% e Flávio 35%, com Cury aparecendo com 9%. Na etapa final, Flávio registra 46%, contra 45% de Lula.
Outros candidatos da terceira via também podem influenciar o resultado. Na pesquisa BTG/Nexus, Lula vence Ronaldo Caiado (PSD) por 46% a 43%, Romeu Zema (Novo) por 47% a 40% e Renan Santos (Missão) por 47% a 39%. No entanto, contra Cury, o petista aparece atrás, com 45% contra 43%.
Quais são os desafios para a campanha de Lula?
Para o consultor Pedro Müller, a campanha petista terá o desafio de mobilizar o eleitorado fiel e atrair eleitores menos ideológicos. A abstenção também é um obstáculo, com a possibilidade de parte do eleitorado de Lula deixar de votar no segundo turno, especialmente em regiões onde a disputa estadual já esteja definida.
A rejeição é outro fator determinante. Na AtlasIntel/Bloomberg, Lula é rejeitado por 52,5% dos eleitores, enquanto Flávio Bolsonaro tem 49,6% de rejeição. Müller avalia que a tendência é que o cenário de resultado próximo se repita, de forma semelhante ao que ocorreu na eleição de 2022.
Naquele pleito, o apoio de Simone Tebet (PSB) a Lula não impediu que o então candidato Jair Bolsonaro concentrasse a maior parte do crescimento de votos entre os turnos. Para Müller, a vitória de Lula dependerá da capacidade de motivar sua base e de evitar erros da oposição.
