Mensagens de PF detalham parceria entre Lulinha e lobista para negociações com o governo
Relatório da Polícia Federal aponta que Fábio Luís Lula da Silva e Roberta Luchsinger mantinham núcleo para intermediação de interesses privados.
Por Redação Diário Local
Mensagens interceptadas pela Polícia Federal (PF) detalham uma parceria entre Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e a lobista Roberta Luchsinger para negociações junto ao governo federal. O conteúdo faz parte de um inquérito que apura suspeitas de tráfico de influência.
De acordo com o relatório policial, a investigação identificou um núcleo de atuação permanente composto por Lulinha, Roberta Luchsinger e Fernando Bittar. O grupo teria como objetivo a interlocução de interesses privados perante agentes e órgãos da Administração Pública Federal.
Os delegados apontam que, embora Lulinha adote uma postura de menor exposição nas tratativas, ele aparece reiteradamente como uma figura de elevada relevância e referência decisória nos projetos discutidos por Roberta.
Como funcionava o grupo de negociações
As comunicações revelam que o trio utilizava um grupo de mensagens no WhatsApp intitulado “Musaranhos” para discutir os negócios. No grupo, os integrantes adotavam codinomes: Lulinha e Bittar eram chamados de “Musos”, enquanto Roberta era a “Musa”.
Em um dos diálogos registrados no dia 6 de março de 2024, a lobista informou a Lulinha que iria participar de uma reunião após a intermediação de Marco Aurélio Santana Ribeiro, que ocupava o cargo de chefe de gabinete da Presidência. A reunião tinha como alvo o acesso ao Ministério da Saúde.
A investigação também rastreou a atuação da RL Consultoria e Intermediações, empresa de Roberta registrada em São Paulo. Segundo a Polícia Federal, a empresária utilizava a consultoria para intermediar negócios, incluindo tentativas de venda de medicamentos à base de cannabis para o governo federal.
Relação com investigados de fraudes no INSS
A Polícia Federal identificou que um dos clientes da consultoria de Roberta era o empresário Antonio Carlos Antunes. A investigação aponta que Luchsinger teria recebido R$ 1,5 milhão de Antunes, divididos em cinco parcelas de R$ 300 mil, para auxiliar no fechamento de negócios com o governo.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou operações relacionadas ao caso ao notar que a empresária utilizava empresas de fachada para o recebimento de recursos. Segundo o ministro, os projetos executados pela consultoria não condiziam com as atividades de outras empresas contratantes.
Entre os eixos de atuação da empresária também estava o fornecimento de medicamentos. Documentos indicam um plano de negócios para fornecer 1,2 milhão de frascos de remédios ao Ministério da Saúde sem licitação, com uma estimativa de faturamento de R$ 636 milhões, conforme depoimento de testemunha à PF.
