Minas Gerais se divide entre Lula e Flávio Bolsonaro em cenário que reflete o eleitorado nacional
Estado apresenta equilíbrio entre direita e esquerda e tem papel decisivo no segundo turno das eleições presidenciais
Por Redação Diário Local
Minas Gerais apresenta um cenário de divisão entre os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) para o segundo turno das eleições presidenciais. O estado, considerado um "espelho" do Brasil por sua diversidade social e econômica, tem um histórico de votar no candidato que acaba eleito na presidência desde o período da redemocratização.
No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro obteve 48,24% dos votos em Minas, contra 43,33% de Lula. Apesar de o candidato do PL ter registrado um total de votos superior, o petista venceu em um número maior de municípios mineiros: foram 452 cidades para Lula e 401 para Bolsonaro.
A votação no estado registrou uma abstenção de 22,8%, índice que ficou acima dos 21,08% registrados no cenário nacional. Dos 16,3 milhões de eleitores mineiros, 3,7 milhões não compareceram às urnas no primeiro turno.
Como foi a divisão por cidades e regiões?
A vantagem de Flávio Bolsonaro foi consolidada nos maiores colégios eleitorais de Minas Gerais. Entre as dez cidades com maior número de eleitores do estado, o candidato do PL venceu em nove: Belo Horizonte, Uberlândia, Contagem, Betim, Montes Claros, Uberaba, Ribeirão das Neves, Governador Valadares e Ipatinga. Lula conquistou a vitória apenas em Juiz de Fora.
O mapa regional também mostra o embate entre as forças políticas. O candidato do PL venceu no Sul de Minas, no Triângulo Mineiro, no Alto Paranaíba e na Região Central. Já Lula obteve resultados superiores nas regiões Norte, Jequitinhonha, Mucuri e Zona da Mata.
As estratégias de campanha para o segundo turno também refletem essa divisão. Lula realizou atos em Juiz de Fora e Ipatinga, além de uma caminhada em Belo Horizonte na última quarta-feira (21). Flávio Bolsonaro visitou Capelinha, no Vale do Jequitinhonha, e tem visita programada para Belo Horizonte neste sábado (24).
Como ficou o cenário no Legislativo?
A polarização também marcou as eleições para o Senado. Os mineiros elegeram um representante de cada campo: Domingos Sávio (PL), com 24,21% dos votos, e Marília Campos (PT), com 19,44%. Ambos contaram com apoio de seus respectivos candidatos à presidência.
Na Câmara dos Deputados, o PL conquistou a maior bancada mineira com 21 das 53 cadeiras, seguido pela Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV), que elegeu 13 deputados. O deputado mais votado do Brasil, Nikolas Ferreira (PL), foi eleito com 3.119.318 votos.
A divisão se repetiu na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). O PL saltou de 13 para 21 cadeiras e terá a maior bancada na Casa a partir de 2027, enquanto o PT aparece em segundo lugar, com 15 deputados.
Por que o Governo de Minas foi uma exceção?
Diferente do equilíbrio observado nas demais esferas, a eleição para o governo mineiro não seguiu o padrão de polarização entre PT e PL. Cleitinho Azevedo (Republicanos) venceu a disputa no primeiro turno com 55,40% dos votos válidos.
Na disputa pelo governo, o candidato apoiado por Lula, Patrus Ananias (PT), ficou em segundo lugar com 26,34%. Flávio Roscoe (PL), aliado de Flávio Bolsonaro, terminou em terceiro com 6,97% dos votos.
Apesar de Cleitinho ter declarado apoio a Flávio Bolsonaro para o segundo turno, houve divergências pontuais em temas como a escala de trabalho 6x1. O governador eleito votou a favor da proposta de extinção da escala, ponto que divergiu da posição do candidato do PL.
