MP contesta candidatura de Renato Machado por suspeita de liderança de grupo criminoso em Maricá
Ministério Público Eleitoral aponta suspeita de que o candidato do PT atuava como mentor intelectual de organização em Maricá
Por Redação Diário Local
O Ministério Público Eleitoral contestou a candidatura de Renato Machado, do PT, para o cargo de deputado estadual. A ação aponta que o candidato é suspeito de atuar como mentor intelectual de uma organização criminosa em Maricá, na Região Metropolitana do Rio.
A manifestação baseia-se em elementos de um inquérito conduzido pela Polícia Civil e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO/RJ). Segundo o Ministério Público, a estrutura investigada teria ligação com uma organização denominada “Narcomilícia”, liderada por Rodrigo José Barbosa da Silva, conhecido como “Rodrigo Negão”, apontado como principal aliado de Machado.
De acordo com a investigação, o grupo apresentava características híbridas, combinando o tráfico de drogas com atividades como o comércio ilegal de cigarros e a exploração clandestina de serviços de internet (“gatonet”). O Ministério Público também aponta aliança com criminosos ligados ao Terceiro Comando Puro (TCP).
Como atuava a organização?
Segundo a impugnação, a atuação do grupo alcançava comunidades como Cantinho, Cocadinha, Mambuca, Saco da Lama, Saco das Flores, Recanto de Itaipuaçu, Morro do Amor e Bairro da Amizade. A organização não se limitaria à exploração econômica, mas utilizaria um aparato armado para garantir o domínio territorial e impor medo aos moradores.
O relatório final do inquérito, citado pelo Ministério Público, indica que a estrutura armada seria usada para manter o grupo no poder, ampliar a área de atuação e executar quem se insurgisse contra as diretrizes da organização criminosa.
A manifestação do Ministério Público também associa a estrutura a duas mortes ocorridas em Maricá, incluindo o assassinato do jornalista Robson Giorno. Na ação, o procurador afirma que Renato Machado foi denunciado como mandante do homicídio qualificado.
Indícios de corrupção e financiamento
O Ministério Público aponta que, durante a gestão de Machado na presidência da SOMAR (Autarquia Municipal de Obras de Maricá), operava um esquema de corrupção com suposta cobrança de 20% de propina sobre obras públicas. Tal prática teria contribuído para a evolução patrimonial do candidato, segundo a ação.
Sobre o financiamento das campanhas, o procurador destaca que, em 2022, dos 34 doadores registrados para a campanha de Machado, 19 eram servidores da Prefeitura de Maricá, com 17 deles vinculados à SOMAR. O Ministério Público argumenta que as doações representavam parcelas expressivas dos rendimentos desses servidores, o que pode indicar mecanismos de coação ou repasse de recursos.
A tese apresentada pelo Ministério Público Eleitoral é de que o caso deve considerar o contexto de interferência de estruturas criminosas no processo eleitoral e na formação da vontade popular, conforme previsto na Constituição Federal.
