Novo chefe de escritório dos EUA para a América Latina já criticou o Brasil por decisões do STF
Juan Pablo Segura assumiu cargo no Departamento de Estado após críticas a multas aplicadas pelo STF à rede social X
Por Redação Diário Local
Juan Pablo Segura assumiu o cargo de secretário-assistente de Estado para Assuntos do Hemisfério Ocidental na última sexta-feira (14). O novo chefe do escritório do Departamento de Estado responsável pelas relações dos Estados Unidos com a América Latina já havia feito críticas ao Brasil em ocasiões anteriores.
Em fevereiro de 2025, Segura utilizou as redes sociais para criticar o país após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), aplicar uma multa de R$ 8 milhões à rede social X. A penalidade ocorreu devido ao descumprimento de uma ordem judicial para fornecer dados cadastrais de um perfil atribuído ao blogueiro Allan dos Santos, o que também resultou na determinação de retirada da conta do ar.
Na época, o novo secretário defendeu que aplicar multas a empresas sediadas nos Estados Unidos por se recusarem a censurar pessoas que vivem em território norte-americano seria incompatível com valores democráticos e com a liberdade de expressão.
O que o novo secretário pretende fazer na região?
Nesta segunda-feira (17), Segura utilizou suas redes sociais para declarar que pretende trabalhar para colocar em prática a visão do presidente Donald Trump na América Latina. Segundo o novo secretário, o objetivo é impulsionar a região para que esteja protegida contra cartéis e narcoterroristas, além de gerar prosperidade para os americanos e seus associados e assegurar fronteiras.
Segura foi indicado para a função pelo presidente Donald Trump em abril e teve o nome confirmado pelo Senado dos Estados Unidos neste mês. Ele possui histórico no Partido Republicano e já atuou como secretário de Comércio e Desenvolvimento Econômico da Virgínia.
Tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos
A posse de Segura coincide com um momento de desgaste nas relações bilaterais. No dia 4 de agosto, o governo norte-americano revogou o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. A medida foi justificada pela demora brasileira em dar o aval para a nomeação de Daniel Perez como embaixador dos EUA no Brasil.
O processo de indicação de Perez gerou mal-estar porque o anúncio foi feito antes da consulta reservada às autoridades brasileiras, o que foge ao padrão tradicional de diplomacia, no qual a nomeação só é comunicada após a aceitação do país anfitrião.
Recentemente, o Itamaraty também negou vistos a dois diplomatas do Departamento de Estado que planejavam viajar ao Brasil. O episódio ocorreu em um contexto de questionamentos sobre o sistema eleitoral brasileiro, tema que os Estados Unidos negam estarem tratando por meio dessa estratégia.
