Nunes Marques avalia votar em pedido de investigação contra André Mendonça no STF
Ministro sinaliza que impedimento sobre Alexandre de Moraes não se aplica a processo envolvendo André Mendonça no STF.
Por Redação Diário Local
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Nunes Marques avalia mudar sua postura e votar contra a abertura de um pedido de investigação contra o colega André Mendonça. Segundo interlocutores, o ministro defende que o impedimento que declarou em relação ao processo de Alexandre de Moraes não se aplica automaticamente ao caso de Mendonça.
A petição contra André Mendonça apura um suposto abuso de autoridade na relatoria do chamado Caso Master. Embora Nunes Marques tenha se declarado impedido de julgar a investigação envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, ele sinaliza que adotará um entendimento distinto no processo que envolve o colega, conforme informações de auxiliares.
A expectativa interna na Corte é de que Nunes Marques vote a favor de Mendonça, rejeitando o pedido de investigação. Apesar do movimento sinalizado a interlocutores, o ministro ainda não confirmou oficialmente como irá se posicionar no plenário.
A votação do pedido estava prevista para ocorrer em plenário nesta quarta-feira (23), mas a sessão foi adiada pelo atual presidente do STF, ministro Edson Fachin. O adiamento ocorreu após o ministro Flávio Dino pedir vista do processo durante a sessão da última terça-feira (15).
Na ocasião, o plenário discutia uma questão de ordem que sugeria a análise conjunta dos pedidos de investigação contra Moraes e Mendonça. O placar atual sobre a proposta de analisar os pedidos de forma unificada é de 4 a 3 contra a questão de ordem.
Nunes Marques não participou da última sessão por alegar que sua atuação como presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) poderia comprometer a imparcialidade da Justiça Eleitoral. O ministro afirmou que seu voto no TSE poderia interferir no entendimento da Corte.
Além de Nunes Marques, o ministro Dias Toffoli também se declarou suspeito de participar da votação. O afastamento de Toffoli ocorreu após o vazamento de mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, que revelaram relações comerciais entre ele e o ministro.
O caso ganhou novos contornos após a divulgação de trechos de mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro, nas quais aparecem citações a Nunes Marques. As informações foram conhecidas poucas horas antes do início da sessão que deveria ter ocorrido na quarta-feira (23).
