Ouvidoria da EBC critica postura de Antonia Pellegrino e aponta uso de canais públicos para fins pessoais
Portal Ouvidoria Cidadã aponta episódios de uso da Agência Brasil e da TV Brasil para promoção da gestão e de interesses pessoais
Por Redação Diário Local
O site Ouvidoria Cidadã publicou um texto nesta terça-feira (1) criticando a presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Antonia Pellegrino, por um suposto padrão de personalismo na gestão da empresa pública. O portal lista uma série de episódios para sustentar a crítica sobre o uso de canais institucionais para fins de promoção pessoal.
Entre os pontos citados está a celebração feita pela dirigente no Instagram sobre a marca de 600 edições do programa Sem Censura, da TV Brasil. No post, Pellegrino atribuiu a retomada da atração a uma decisão tomada durante sua gestão na Diretoria de Conteúdo e Programação. Para o portal, o gesto indica uma tentativa de centralizar conquistas institucionais em sua trajetória pessoal.
Uso de canais e possíveis conflitos de interesse
O texto da Ouvidoria Cidadã aponta que o perfil pessoal de Pellegrino tem sido usado como canal de interação com o público, em vez de instâncias formais como a própria Ouvidoria ou o Sistema Nacional de Participação Social na Comunicação Pública (Sinpas). O documento cita ainda que um assessor da presidência da EBC, com função comissionada, seria responsável por registrar a rotina da dirigente nas redes sociais.
Outro episódio mencionado ocorreu em maio de 2026, quando a presidente participou de um evento patrocinado pelo Google Gemini. Segundo o texto, a promoção do convite em redes sociais pessoais gerou uma situação de conflito de interesse, visto que, na mesma época, o governo federal discutia o endurecimento de regras para plataformas digitais e redes sociais.
A Ouvidoria também descreveu uma situação ocorrida em junho de 2026, envolvendo o programa Na Mesa com Datena, da TV Brasil. Na ocasião, o jornalista José Luiz Datena entrevistou Marcelo Freixo, ex-presidente da Embratur e marido de Pellegrino, que era pré-candidato a deputado federal pelo Rio de Janeiro. O portal classificou o evento como uma estrutura de troca de visibilidade dentro da máquina pública.
Decisões editoriais e futebol feminino
O texto cita ainda o uso da Agência Brasil para a publicação de um artigo assinado pela presidente em defesa de medidas adotadas pela empresa em julho de 2026. Naquele mês, a EBC retirou do ar mais de 180 mil conteúdos dos veículos públicos com base em interpretações sobre o defeso eleitoral. O portal argumenta que a Agência Brasil é um veículo noticioso e não deve servir como espaço para manifestações de opinião de dirigentes.
Por fim, a Ouvidoria questionou a narrativa de que o futebol feminino só ganhou espaço na TV Brasil sob a gestão de uma diretoria feminina. Segundo o texto, a emissora já transmitia competições da categoria em décadas anteriores e durante a Copa do Mundo Feminina de 2015, ressaltando que o crescimento do setor acompanha movimentos estruturais globais do esporte.
