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Religião

Padre excomungado contesta decisão de cardeal e cita outros clérigos no DF

Françoá Costa questionou a validade da sanção canônica e comparou seu caso a investigações de abuso envolvendo outros sacerdotes na capital.

Por Davy Albuquerque

O padre Françoá Costa contestou a validade jurídica de sua excomunhão e questionou a decisão do arcebispo de Brasília, cardeal Dom Paulo Cezar Costa. Em comunicado divulgado nesta quinta-feira (16/7), o religioso afirmou que a punição aplicada contra ele possui motivação estritamente doutrinária e diverge do histórico de medidas disciplinares da Arquidiocese de Brasília.

Em vídeo publicado no canal oficial da Capela Santo Atanásio, Françoá Costa argumentou que a severidade da sanção é desproporcional. Segundo o sacerdote, as punições mais rigorosas da Igreja costumam ser reservadas a casos de desvios de conduta moral ou crimes, e não por questões de posicionamento católico.

Para sustentar sua tese, o religioso listou cinco clérigos que enfrentaram investigações criminais ou denúncias de abuso sexual no Distrito Federal. Entre os nomes mencionados estão o ex-padre Delson Zacarias, condenado pela Justiça a mais de 40 anos de prisão, e o ex-pároco José Maria, envolvido em denúncias de conduta sexual inadequada.

O sacerdote também citou os freis Hoslan Guedes e Alex Nuno, investigados por suspeita de abuso contra menores em Ceilândia, além de Dom Valdir Mamede, que é réu por acusação de importunação sexual. Françoá afirmou que, ao contrário desses casos, sua expulsão ocorre por ser católico.

Por que ocorreu a excomunhão?

A excomunhão de Françoá Costa e de toda a comunidade ligada à Capela Santo Atanásio é um desdobramento de um decreto do Vaticano. O documento, emitido pelo Dicastério para a Doutrina da Fé em 2 de julho deste ano, aplicou a excomunhão automática contra a Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX), grupo do qual o padre é adepto.

O padre defendeu que a comunidade da capela na Ceilândia não é cismática nem excomungada. Ele afirmou que os fiéis receberam a nota da Arquidiocese de Brasília com tranquilidade e sustentou que os sacramentos realizados na unidade são válidos e lícitos, baseando-se no princípio da jurisdição de suplência.

A medida da Arquidiocese de Brasília atinge diretamente o grupo FSSPX, que enfrenta crises com o Vaticano desde 2025. O religioso reiterou que sua situação difere de escândalos que envolvem crimes contra a moral, reforçando o caráter doutrinário de sua punição.

Procurada, a Arquidiocese de Brasília não havia se manifestado sobre as declarações do padre até o fechamento deste texto. O espaço permanece aberto para resposta da instituição.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.