Tensões no Estreito de Ormuz comprimem oferta de diesel e elevam risco para petroleiras
Disputa pelo controle de passagem marítima no Oriente Médio interrompe fluxo de energia e pressiona preços de derivados globais
Por Davy Albuquerque
A escalada de tensões envolvendo o Irã, os Estados Unidos e seus aliados no Estreito de Ormuz interrompeu a recuperação de fluxo de petróleo e derivados que havia começado em junho. A disputa pelo controle das condições de navegação na região reacendeu preocupações sobre a oferta global de energia e os preços das commodities.
De acordo com análises do JPMorgan, o movimento recente do Irã sugere uma mudança de estratégia. Em vez de buscar o fechamento total da rota, Teerã tenta impor protocolos obrigatórios de trânsito e taxas sobre navios comerciais, na tentativa de afirmar autoridade sobre a passagem marítima.
A resposta da coalizão liderada pelos Estados Unidos incluiu a abertura de um corredor em Omã, a retomada de sanções ao petróleo iraniano e novos bloqueios a portos. O impasse causou uma queda brusca no tráfego de embarcações: o volume confirmado no estreito recuou de 12,5 milhões de barris por dia para 5,1 milhões.
Por que o preço do diesel subiu?
A crise no Oriente Médio gerou um choque no setor de refino. As exportações de produtos refinados do Golfo Pérsico caíram de 3 milhões para 1,2 milhão de barris por dia, resultando em um déficit estimado de 2,5 milhões de barris de derivados no mercado internacional.
O cenário é agravado pelas dificuldades no sistema de refino da Rússia. O processamento no país caiu para 3,3 milhões de barris por dia, o que reduziu as exportações russas de diesel em quase 800 mil barris por dia na comparação anual. A combinação dos fatores elevou os preços do combustível nos Estados Unidos e na Europa para patamares próximos de recordes históricos.
No mercado de petróleo bruto, o cenário de oferta é restrito. Com a exclusão do petróleo em trânsito, os estoques globais em terra, fora da China, atingiram mínimas históricas. Esse quadro sustenta projeções de que o barril Brent possa valer US$ 86 no terceiro trimestre de 2026.
Quais os impactos para as empresas brasileiras?
O retorno do risco geopolítico em Ormuz tem efeitos diretos para o setor de óleo e gás no Brasil. A alta do Brent tende a melhorar a receita e a geração de caixa de produtoras como Petrobras e PRIO, que são sensíveis ao preço internacional da commodity.
Para a Petrobras, o aumento de preços no segmento de exploração e produção (upstream) convive com a pressão política sobre os combustíveis no mercado doméstico. Já a PRIO, com produção focada em offshore e menor exposição ao debate de preços internos, tende a capturar os ganhos de forma mais linear.
